
O Ministério Público de Paris reabriu a frente francesa do caso Jeffrey Epstein. Promotores anunciaram, nesta quarta-feira (18), duas novas investigações sobre possíveis abusos sexuais e irregularidades financeiras ligadas ao financista americano, morto na prisão em 2019, e fizeram um apelo público para que novas vítimas se apresentem.
Segundo a procuradora de Paris, Laure Beccuau, os investigadores vão trabalhar com três fontes principais:
os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos,
reportagens da imprensa
e novas denúncias que estão sendo registradas na França.
Uma das investigações foca em crimes sexuais e a outra em possíveis crimes financeiros, ambas conduzidas por magistrados especializados.
Beccuau lembrou que a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos, além de milhares de vídeos e fotos sobre Epstein, tende a reabrir feridas. “Essas publicações inevitavelmente vão reativar o trauma de certas vítimas”, afirmou, ao dizer que acredita que muitas delas ainda não procuraram a Justiça.
A procuradora pediu que quem tenha sido vítima ou testemunha de abusos ligados a Epstein registre queixa formal ou preste depoimento, ajudando não só as investigações francesas, mas também processos em outros países.
Laure Beccuau também informou que investigações antigas serão reexaminadas à luz dos novos documentos. Entre elas, o caso do agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, acusado de estupro e tráfico sexual de menores.
Ele era apontado como peça-chave na apuração sobre exploração sexual de mulheres e meninas ligada ao círculo de Epstein na França. O procedimento foi encerrado em 2022, após Brunel ser encontrado morto em sua cela em Paris.
Epstein viajava com frequência ao país e possuía apartamentos em Paris, o que justifica o interesse da Justiça francesa no caso.
Ex-ministro francês sob suspeita - A divulgação dos arquivos também respingou no meio político. O nome de maior peso citado até agora é o do ex-ministro da Cultura Jack Lang, de 86 anos. Ele renunciou neste mês à presidência do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, após suspeitas de fraude fiscal.
O Ministério Público Financeiro da França abriu uma investigação sobre as supostas ligações de Jack Lang e de sua filha, Caroline Lang, com Epstein, por meio de uma empresa offshore registrada nas Ilhas Virgens Americanas, no Caribe.
Diplomata francês é citado mais de 200 vezes - Em outro desdobramento, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, informou ter acionado a Promotoria a respeito de um alto diplomata francês, Fabrice Aidan, citado nos arquivos de Epstein.
Barrot disse, em uma publicação na rede X, que também abriu investigação administrativa e processo disciplinar contra o diplomata, sem detalhar o conteúdo das acusações.
Os documentos mostram que o nome de Aidan aparece mais de 200 vezes nos arquivos, em trocas de mensagens que remontam a 2010, período em que ele trabalhava na ONU. As comunicações sugerem que ele teria compartilhado documentos diplomáticos com Epstein.
Os e-mails também apontam uma relação próxima entre Aidan e o diplomata norueguês Terje Rød-Larsen, que é alvo de apurações por seus contatos com Epstein.
A defesa de Fabrice Aidan, representada pela advogada Jade Dousselin, afirma que ele nega qualquer irregularidade e pede que seja respeitado o princípio da presunção de inocência enquanto as investigações estiverem em andamento.
