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CRIMES DA DITADURA

Ex-agente da ditadura de Pinochet é preso nos EUA após décadas foragido

Armando Fernández Larios foi condenado por assassinatos e pode ser extraditado ao Chile

13 fevereiro 2026 - 16h05Geovanna Hora
Ex-agente da ditadura chilena é preso nos EUA e pode ser extraditado ao Chile por crimes contra a humanidade.
Ex-agente da ditadura chilena é preso nos EUA e pode ser extraditado ao Chile por crimes contra a humanidade. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ex-agente da Diretoria de Inteligência Nacional do Chile (Dina), Armando Fernández Larios, foi preso pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) na cidade de Fort Myers, na Flórida. Condenado por crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet, ele integra uma lista de 42 chilenos detidos divulgada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA em 27 de janeiro. Apesar do anúncio recente, a prisão ocorreu em outubro do ano passado.

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Larios era oficial do Exército chileno em 11 de setembro de 1973, data do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Naquele dia, forças militares cercaram o Palácio de La Moneda, em Santiago, e instauraram o regime liderado por Pinochet, que permaneceu no poder por 17 anos.

De acordo com o Centro para a Justiça e a Responsabilidade (CJA), Larios participou ativamente do golpe e integrou a chamada “Caravana da Morte”, operação militar realizada em outubro de 1973 no norte do Chile. Durante a ação, ao menos 75 presos políticos foram torturados e mortos, entre eles o economista Winston Cabello, integrante do governo Allende.

Posteriormente, Larios passou a integrar a Dina, criada oficialmente em 1974 e responsável por ações clandestinas contra opositores do regime, como sequestros, torturas e assassinatos.

Fuga para os Estados Unidos - Segundo a Human Rights Watch, Larios fugiu para os Estados Unidos em 1987 após firmar um acordo judicial de confissão no assassinato do ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Orlando Letelier, e de sua assistente, a americana Ronni Moffitt. Eles morreram em 21 de setembro de 1976, em Washington, após a explosão de uma bomba colocada no carro de Letelier por agentes da Dina.

O acordo previa que, após cumprir cinco meses de prisão, Larios poderia permanecer nos EUA sob proteção do governo americano, sem possibilidade de extradição.

Em 2003, um júri da Flórida condenou Larios ao pagamento de US$ 4 milhões por tortura, crimes contra a humanidade e execuções extrajudiciais no caso Winston Cabello. A decisão foi confirmada em 2005 pelo Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos Estados Unidos.

Ele também é acusado de envolvimento em outros crimes atribuídos à repressão do regime chileno, como o assassinato do ex-comandante do Exército Carlos Prats, morto em Buenos Aires em 30 de setembro de 1974, e do diplomata hispano-chileno Carmelo Soria, funcionário da Cepal, morto em Santiago em 16 de julho de 1976.

O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, afirmou que a prisão não surpreendeu o governo chileno. “Não nos surpreende, porque de fato aqueles que cometem crimes contra a humanidade, aqueles que violam os direitos humanos, são os que cometeram os crimes mais graves segundo o direito internacional”, declarou à rádio Infinita.

Segundo o jornal El País, existem cinco pedidos de extradição de Larios em aberto no Chile por violações de direitos humanos. Ele deve passar por audiência ainda neste mês, quando a Justiça norte-americana decidirá sobre um eventual envio ao país sul-americano.

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