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20 de fevereiro de 2026 - 18h07
CAMARA
TRAGÉDIA NA MONTANHA

Alpinista é condenado por deixar namorada morrer na montanha mais alta da Áustria

Justiça considerou erro de avaliação, mas afastou abandono deliberado; réu pode recorrer

20 fevereiro 2026 - 16h45Geovanna Hora
Kerstin morreu de hipotermia após ficar presa com o namorado na Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria.
Kerstin morreu de hipotermia após ficar presa com o namorado na Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Um alpinista foi condenado na quinta-feira, 19, por deixar a namorada morrer de hipotermia na Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria. Thomas P., como foi identificado pela imprensa internacional, recebeu pena de cinco meses de prisão em liberdade condicional e multa de € 9,6 mil, o equivalente a cerca de R$ 58,8 mil na cotação atual. Ele ainda pode recorrer da decisão.

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O caso ocorreu em janeiro de 2025, quando Thomas e a namorada, Kerstin G., tentaram escalar a montanha em condições climáticas severas. Segundo a BBC, naquele dia as temperaturas estavam em -8°C, com sensação térmica de -20°C e ventos que chegavam a 74 km/h.

Pedido de socorro e versões divergentes - De acordo com a acusação, o casal ficou preso na montanha por volta das 20h50 do dia 18 de janeiro, mas Thomas não teria solicitado ajuda. Às 22h30, um helicóptero da polícia sobrevoou a região, e, segundo os promotores, novamente não houve pedido de socorro.

A defesa sustentou que o casal ainda se sentia bem naquele momento e acreditava estar próximo do pico. Segundo os advogados, Kerstin começou a passar mal pouco depois e teria pedido que o namorado buscasse ajuda por volta de 0h35 do dia 19.

A partir daí, as versões se dividem. Socorristas afirmaram ter recebido uma ligação de Thomas, mas disseram que ele informou que não se tratava de uma emergência. Já a defesa alegou que ele nunca afirmou que a situação estava sob controle.

Por volta das 2h, Thomas deixou Kerstin na encosta, subiu até o pico e desceu pelo outro lado da montanha. Ele declarou que a namorada estava parada quando a deixou, mas os socorristas a encontraram de cabeça para baixo em uma parede rochosa. Um dos juízes apontou que a posição do corpo indica possibilidade de queda.

O exame necroscópico confirmou que Kerstin morreu por hipotermia. Também foram detectados sinais de pneumonia viral e vestígios de ibuprofeno no organismo. O laudo, no entanto, não conseguiu determinar se a doença comprometeu sua capacidade física ou agravou o quadro.

O tribunal informou à BBC que levou em consideração os antecedentes criminais de Thomas, o fato de ele ter perdido uma pessoa próxima e a ampla repercussão negativa nas redes sociais como fatores atenuantes.

Um dos juízes avaliou que o alpinista era mais experiente do que Kerstin e que ambos deveriam ter recuado diante das condições adversas. Ainda assim, concluiu que não houve abandono deliberado.

“Não o vejo como um assassino, não o vejo como alguém sem coração”, afirmou o magistrado, segundo trecho da decisão divulgado pela BBC.

Depoimento de ex-namorada - Durante o julgamento, uma ex-namorada de Thomas, identificada como Andrea B., relatou ter sido deixada para trás pelo alpinista em uma escalada na mesma montanha em 2023. Ela afirmou que estava cansada e com tontura quando ele seguiu em frente.

Os pais de Kerstin, por sua vez, disseram que a filha praticava alpinismo desde 2020 e que não teria agido de forma imprudente.

Thomas afirmou em tribunal que é inocente, que amava a namorada e que a escalada havia sido planejada em conjunto.

Com a sentença, o caso encerra uma das mais controversas tragédias recentes envolvendo alpinismo na Europa, ainda sob possibilidade de recurso.

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