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MEIO AMBIENTE

Relatório aponta agrotóxicos em tamanduás e acende alerta na Bacia do Rio Miranda

Nota técnica mostra contaminação em animais, rios e aquíferos da região de Bonito e cobra mais controle sobre o uso de agrotóxicos

11 janeiro 2026 - 11h50Iury de Oliveira
Relatório técnico identifica agrotóxicos em tamanduás-bandeira na região do Pantanal e acende alerta para contaminação de fauna e rios em MS.
Relatório técnico identifica agrotóxicos em tamanduás-bandeira na região do Pantanal e acende alerta para contaminação de fauna e rios em MS. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Neste domingo (11), Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, um relatório técnico sobre a realidade de Mato Grosso do Sul transforma em evidência concreta um alerta que já vinha sendo feito por pesquisadores e ambientalistas. Estudos recentes identificaram agrotóxicos em mais da metade dos tamanduás-bandeira monitorados após a morte na região do Pantanal e da Serra da Bodoquena, sinal de que a contaminação química já atinge a fauna silvestre em áreas consideradas referência ambiental e turística.

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Os dados estão em um relatório do Instituto Tamanduá e servem de base para a Nota Técnica SOS Bonito, documento elaborado em conjunto pelo Instituto SOS Pantanal, Instituto Tamanduá, Fundação Neotrópica do Brasil, Instituto Libio e SOS Mata Atlântica. O texto analisa os efeitos das mudanças no uso do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Miranda, que abrange municípios como Bonito e Aquidauana, e aponta riscos que vão além da perda de biodiversidade, alcançando a qualidade da água e a integridade de ecossistemas que sustentam o turismo de natureza e o abastecimento humano.

Segundo o estudo, exames necroscópicos feitos em tamanduás-bandeira reintroduzidos na natureza encontraram resíduos de agrotóxicos, incluindo substâncias proibidas no Brasil, além de metais pesados. A conclusão técnica é de um quadro compatível com intoxicação aguda. Chama a atenção o fato de que esses animais circularam principalmente por pastagens e matas ciliares, e não por grandes lavouras, o que indica que a contaminação chega a áreas que, em tese, deveriam estar mais protegidas da aplicação intensiva de químicos.

A Nota Técnica SOS Bonito não se limita ao caso dos tamanduás. O levantamento mostra que, entre 1985 e 2023, a Bacia do Rio Miranda perdeu extensas áreas de vegetação nativa, enquanto a cultura da soja avançou de forma contínua. A expansão agrícola veio acompanhada do aumento no uso de insumos químicos, ampliando o risco de que agrotóxicos e outros contaminantes cheguem aos corpos d’água.

Os pesquisadores alertam para impactos sobre rios, aquíferos – os reservatórios subterrâneos de água – e sistemas cársticos, formações geológicas porosas que armazenam água e são extremamente sensíveis à poluição. É esse tipo de sistema que ajuda a garantir a transparência das águas que fizeram de Bonito um destino conhecido internacionalmente pelo ecoturismo. A contaminação desses ambientes pode comprometer a vida aquática, a fauna em geral e atividades econômicas que dependem diretamente de rios limpos e nascentes preservadas.

Entre os efeitos potenciais destacados no documento estão desregulação biológica e impactos neurotóxicos em organismos silvestres expostos a essas substâncias. O alerta também atinge a economia: atividades ligadas ao turismo de natureza podem ser diretamente ameaçadas se a qualidade da água cair e o equilíbrio dos ecossistemas se deteriorar.

Diante desse cenário, a nota técnica recomenda medidas concretas, como monitoramento contínuo de agrotóxicos e metais pesados em fauna, solo e água, revisão de licenças ambientais em áreas consideradas sensíveis e reforço na fiscalização, especialmente em regiões de transição entre Cerrado e Mata Atlântica. A ideia é reduzir o risco de contaminação e evitar que danos hoje detectados em animais se transformem em problemas mais amplos para a população e para a economia regional.

O alerta atual se soma a casos já registrados anteriormente. Em fevereiro deste ano, reportagem mostrou que cinco tamanduás morreram contaminados por agrotóxicos em apenas um mês, antecipando um problema que agora ganha contornos mais amplos e respaldo técnico. Com a divulgação do novo relatório e da Nota Técnica SOS Bonito, organizações ambientais reforçam o pedido por mudanças na forma de uso do solo e no controle de químicos na Bacia do Rio Miranda, em defesa da fauna, dos rios e de um dos principais cartões-postais de Mato Grosso do Sul.

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