Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
12 de fevereiro de 2026 - 11h24
JUSTIÇA EM AÇÃO

Feminicídios em MS em 2025: como a sociedade pode ajudar a combater a violência contra as mulheres

Diante dos casos de feminicídio registrados em 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul reforçou a prioridade na tramitação desses processos

12 fevereiro 2026 - 09h35Redação
Homenagem à jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em fevereiro de 2025. O ato em memória de Vanessa é realizado em frente ao Tribunal do Júri de Campo Grande, onde o processo segue em tramitação
Homenagem à jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em fevereiro de 2025. O ato em memória de Vanessa é realizado em frente ao Tribunal do Júri de Campo Grande, onde o processo segue em tramitação - (Foto: Divulgação)

O ano de 2025 trouxe à tona uma realidade dolorosa e alarmante para Mato Grosso do Sul: a violência contra as mulheres, em especial os feminicídios, continua a ser uma epidemia. A morte da jornalista Vanessa Ricarte, assassinada a facadas em fevereiro de 2025, marcou profundamente a sociedade e teve repercussão em todo o estado. O assassinato de Vanessa não só gerou comoção, mas também trouxe à tona falhas no atendimento a mulheres em risco e impulsionou mudanças importantes nos protocolos de atendimento. Entretanto, um ano depois, o processo ainda não foi julgado, e a luta por justiça segue.

Canal WhatsApp

Vanessa, de 42 anos, foi morta na entrada da casa onde morava, no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Antes de sua morte, ela havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para denunciar agressões e pedir medida protetiva contra o ex-noivo, Caio Cesar Nascimento Pereira. Vanessa relatou episódios de violência, mas, segundo áudio enviado a um amigo, seu atendimento na Deam foi frio, e ela foi orientada a voltar para casa. Tragicamente, horas depois, foi atacada e morta. O caso gerou críticas e exigiu uma reflexão profunda sobre a eficácia dos protocolos de proteção a mulheres em situação de risco.

Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande: centro de apoio às mulheres vítimas de violência, oferecendo suporte jurídico, psicológico e acolhimento para mulheres em situação de riscoCasa da Mulher Brasileira em Campo Grande: centro de apoio às mulheres vítimas de violência, oferecendo suporte jurídico, psicológico e acolhimento para mulheres em situação de risco

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) tem trabalhado de forma significativa na tentativa de acelerar processos de feminicídio, com a garantia de que esses casos recebam prioridade. Em nota, o TJMS esclareceu que, apesar da prioridade dada aos processos de feminicídio, o caso de Vanessa teve uma tramitação mais lenta devido à quantidade de recursos apresentados pelas partes envolvidas e a análise de pedidos no processo. No entanto, o juiz responsável, Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, reiterou que a celeridade nos julgamentos de feminicídios é um compromisso do Tribunal.

Em relação à tramitação do caso de Vanessa, o processo já passou por várias etapas, e o próximo passo será o interrogatório do réu em março de 2026. A espera pela justiça continua, mas o caso serviu como um divisor de águas na forma como o sistema de justiça lida com os feminicídios. Mudanças internas foram implementadas, como a criação de um grupo de trabalho para monitorar boletins de ocorrência e aprimorar o atendimento na Casa da Mulher Brasileira, além de ajustes no acompanhamento policial e maior agilidade nas medidas protetivas.

A sociedade tem um papel fundamental nesse processo. É essencial que as pessoas se envolvam, que as denúncias sejam feitas de maneira rápida e eficaz, e que haja uma cobrança contínua pela justiça. A mudança de mentalidade e a conscientização sobre o impacto da violência contra as mulheres é um passo crucial para garantir que casos como o de Vanessa não se repitam.

Primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Campo Grande: unidade especializada na investigação de crimes contra mulheres, visando garantir mais eficiência e acolhimento às vítimas.Primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Campo Grande: unidade especializada na investigação de crimes contra mulheres, visando garantir mais eficiência e acolhimento às vítimas.

Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios, e, embora um caso tenha sido julgado e condenado — o de Giseli Cristina Oliskowiski, cuja morte levou à condenação de seu marido a 33 anos de prisão —, a maioria dos processos ainda segue em andamento. Alguns aguardam o julgamento, enquanto outros estão em diferentes estágios de investigação. Em cinco casos, não houve ação penal devido à morte do agressor ou ao suicídio do mesmo.

As estatísticas são tristes, mas há esperança. O sistema de justiça, junto a movimentos da sociedade civil, ONGs e instituições públicas como o TJMS, está trabalhando para que cada vez mais mulheres sejam protegidas e que a justiça seja feita de maneira mais rápida e eficaz. A participação ativa da sociedade na denúncia de abusos e a colaboração com as políticas públicas são essenciais para combater essa epidemia de violência.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop