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09 de fevereiro de 2026 - 15h37
CARNAVAL SP

MP investiga superlotação em megablocos na Rua da Consolação durante o carnaval

Concentração de dois grandes desfiles no mesmo dia gerou tumulto, atrasos e pessoas passando mal no centro de São Paulo

9 fevereiro 2026 - 13h55Malu Mões
Superlotação marcou os desfiles de megablocos na Rua da Consolação e motivou investigação do Ministério Público.
Superlotação marcou os desfiles de megablocos na Rua da Consolação e motivou investigação do Ministério Público. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O Ministério Público de São Paulo instaurou uma sindicância para investigar a superlotação registrada neste domingo (8) na Rua da Consolação, região central da capital, durante desfiles de blocos de carnaval. A apuração ficará a cargo da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital e foi aberta nesta segunda-feira (9).

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A investigação foi motivada pela concentração simultânea de dois megablocos no mesmo local e em horários próximos. O bloco Skol, que tinha como principal atração o DJ Calvin Harris, e o Acadêmicos do Baixo Augusta estavam programados para desfilar na Rua da Consolação, com início previsto às 11h e às 14h, respectivamente. A coincidência provocou congestionamento, tumultos e atrasos nas apresentações.

Relatos de foliões e imagens divulgadas nas redes sociais mostram cenas de empurra-empurra, público pressionado contra grades de contenção e pessoas subindo em beirais de prédios e até em banheiros químicos para tentar escapar da superlotação. Houve registros de foliões passando mal, o que levou à interrupção momentânea das apresentações musicais.

O problema teve início ainda durante o desfile do bloco Skol, previsto para começar às 11h30, na esquina da Rua da Consolação com a Rua Pedro Taques. A programação incluía apresentações de Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro, com Calvin Harris encerrando o evento a partir das 14h. Pouco depois das 12h, o trio elétrico parou de avançar, houve empurra-empurra e os artistas precisaram interromper o show em diversos momentos.

Com a dificuldade de circulação, alguns foliões chegaram a se apoiar nas grades de portões de prédios para conseguir respirar, enquanto outros derrubaram gradis para acessar áreas abertas de imóveis ao longo da via.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, um plano de contingência foi acionado às 14h55. Entre as medidas adotadas estiveram a abertura das ruas transversais da Consolação como rotas de escape, o bloqueio da entrada de novos foliões no circuito e a retirada de grades para facilitar a mobilidade. A administração informou ainda que a Guarda Civil Metropolitana passou a conduzir a frente do trio elétrico para evitar novas paradas.

Em nota, a Prefeitura afirmou que, por volta das 16h, o desfile já transcorria “sem incidentes” na região central e que os postos médicos atenderam pessoas que buscaram ajuda, sem registro de ocorrências graves. A Polícia Militar confirmou que não houve feridos, mas não detalhou a situação das pessoas que passaram mal nem informou o número de agentes destacados para o evento. A corporação disse apenas que o efetivo foi ampliado diante da superlotação.

Apesar dos problemas, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou o primeiro fim de semana de carnaval na cidade como um “sucesso”. Em entrevista à GloboNews, afirmou que, considerando o grande público e o número reduzido de ocorrências, o balanço foi positivo. Segundo ele, a infraestrutura montada pela gestão municipal “foi perfeita”.

A Prefeitura, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre os critérios que levaram à autorização de dois grandes blocos na mesma data e local. Em comunicado, limitou-se a afirmar que o “recorde de público” levou à liberação das vias de acesso como áreas de escape e à retirada de gradis para melhorar a circulação.

Nas redes sociais, foliões relataram as dificuldades enfrentadas durante o evento e criticaram a organização. “Nunca vi a Consolação tão lotada”, escreveu um participante, resumindo o sentimento de quem esteve no local.

Com a sindicância aberta, o Ministério Público deve apurar se houve falhas no planejamento urbano e na autorização dos desfiles, além de avaliar a atuação do poder público e dos organizadores diante da superlotação registrada.

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