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12 de janeiro de 2026 - 20h01
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STF E ÉTICA

Moraes autoriza notificação presencial de Augusto Heleno em processo da Comissão de Ética

Procedimento apura falas do ex-chefe do GSI em reunião no Planalto às vésperas das eleições de 2022

12 janeiro 2026 - 14h50Alisson Lacerda
Ministro Alexandre de Moraes autorizou notificação presencial de Augusto Heleno em processo da Comissão de Ética Pública
Ministro Alexandre de Moraes autorizou notificação presencial de Augusto Heleno em processo da Comissão de Ética Pública - Foto: Antônio Augusto/STF/ABrasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que servidores da Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República realizem a notificação presencial do general da reserva Augusto Heleno. A decisão foi proferida na sexta-feira (9) e está relacionada a um processo que apura possíveis desvios éticos cometidos por Heleno quando ocupava o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo o despacho, a Comissão de Ética informou ao STF que instaurou formalmente um Processo de Apuração Ética (PAE) contra o general, após sucessivas tentativas frustradas de notificá-lo por e-mail e pelos Correios. Com a autorização judicial, dois servidores da Secretaria-Executiva da CEP poderão fazer a entrega pessoal da notificação.

O procedimento foi aberto a partir de voto do conselheiro Manoel Caetano Ferreira Filho, relator do caso na Comissão de Ética. No entendimento do colegiado, há indícios de autoria e materialidade de conduta incompatível com o Código de Conduta da Alta Administração Federal.

A apuração tem como foco declarações feitas por Augusto Heleno durante uma reunião convocada pelo então presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em 5 de julho de 2022. O encontro reuniu ministros e autoridades do governo e teve o vídeo posteriormente divulgado.

Na gravação, Heleno afirma que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deveria estruturar um esquema para acompanhar ações de “dois lados”, mencionando preocupação com eventual vazamento de informações. Em outro trecho, defende a adoção de medidas antes das eleições, com falas que mencionam agir contra instituições e pessoas e a possibilidade de “virar a mesa”.

Para a Comissão de Ética, as declarações indicam uma possível tentativa de instrumentalização da Abin com finalidade política, inclusive com referência à infiltração em campanhas eleitorais. O relator aponta que o conteúdo das falas pode estar associado à construção de uma narrativa de fraude eleitoral, em desacordo com o resultado das urnas.

À época, a Abin integrava a estrutura do próprio GSI, comandado por Heleno, o que, na avaliação do colegiado, agrava a situação. A Comissão entendeu que as manifestações violam o artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, que impõe às autoridades padrões de integridade, moralidade, clareza de posições e decoro.

Apesar de tentativas de contato desde março de 2024, Augusto Heleno não apresentou esclarecimentos à Comissão, o que levou à abertura formal do processo. Com a notificação presencial autorizada pelo STF, o general terá prazo de dez dias úteis para apresentar defesa e documentos.

Heleno foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por envolvimento no núcleo central da tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar, após a apresentação de laudos médicos que apontam demência decorrente de Alzheimer. A reportagem tenta contato com a defesa do general, e o espaço segue aberto.

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