
A condução das investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli tem causado incômodo entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, parte dos ministros avalia de forma crítica o andamento do caso, tanto pela tramitação considerada fora do padrão quanto pela suspeita de que irmãos do relator teriam sido beneficiados em uma negociação com a instituição financeira.
Em caráter reservado, dois ministros relataram ao Estadão que consideram improvável que Toffoli se afaste do processo por iniciativa própria. Eles também negam a existência de pressão interna direta para que o colega deixe a relatoria. Na avaliação desses magistrados, as cobranças para um eventual afastamento têm origem principalmente na repercussão política e na opinião pública, e não dentro do tribunal.
Até o momento, nenhum ministro do STF se manifestou publicamente sobre a atuação de Toffoli no caso. A orientação predominante na Corte é de cautela. A avaliação interna é de que o silêncio reduz a possibilidade de ampliar a polêmica em torno do episódio.
Um terceiro ministro ouvido pelo jornal apresentou uma leitura diferente. Para ele, notícias que apontam uma suposta pressão interna podem funcionar como um “balão de ensaio”, criando um ambiente para que o próprio relator decida se afastar do processo diante do volume de reportagens que relacionam sua família ao Banco Master.
Mesmo com o desconforto nos bastidores, prevalece no STF o chamado espírito de corpo. Ministros avaliam que ataques direcionados a Toffoli acabam atingindo a imagem da Corte como um todo. O receio é de que o caso se transforme em combustível para uma nova onda de críticas e questionamentos ao Supremo e a seus integrantes.

