
O presidente da China, Xi Jinping, defendeu uma coordenação mais estreita com o Brasil em meio a um “cenário internacional instável” durante conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (23). Segundo comunicado do governo chinês, os dois líderes ressaltaram o papel de Brasil e China na defesa do multilateralismo, da governança global e da estabilidade internacional.
Xi lembrou que, em 2024, ele e Lula decidiram elevar a relação bilateral ao patamar de “comunidade de futuro compartilhado voltada à construção de um mundo mais justo e de um planeta mais sustentável”. De acordo com a nota, essa comunidade avançou “de forma sólida” ao longo do último ano, com maior articulação entre as estratégias de desenvolvimento dos dois países, apontada como exemplo de cooperação entre nações do Sul Global.
O presidente chinês afirmou que 2026 marca o início de um novo ciclo de planejamento econômico na China. Segundo ele, Pequim pretende promover “desenvolvimento de alta qualidade por meio de uma abertura de alto nível ao exterior”, o que deve gerar mais oportunidades de cooperação sino-brasileira. Xi disse ainda que está disposto a “avançar de forma abrangente a cooperação mutuamente benéfica em todos os campos” e impulsionar “um maior desenvolvimento das relações China-Brasil”.
No comunicado, Xi destacou que China e Brasil, como importantes membros do Sul Global, são “forças construtivas na manutenção da paz e da estabilidade mundiais”. Para ele, os dois países devem “defender o papel central da ONU” e a “justiça e a equidade internacionais”, reforçando a atuação conjunta em espaços multilaterais e em debates sobre governança global.
Do lado brasileiro, segundo a versão divulgada pela China, Lula afirmou que a visita de Xi ao Brasil em 2024 foi histórica e levou a relação bilateral a “um novo patamar”. O presidente brasileiro teria dito que Brasil e China são “forças importantes na defesa do multilateralismo e do livre comércio” e manifestou disposição para fortalecer a cooperação no âmbito do Brics.
Lula também teria defendido que os dois países atuem juntos em favor da paz e da estabilidade globais, o que inclui coordenação em fóruns internacionais e alinhamento em temas sensíveis da agenda mundial. A ligação, assim, é apresentada pelo governo chinês como mais um passo na consolidação da parceria estratégica entre Brasília e Pequim.

