
A Nasa identificou um vazamento durante o abastecimento de seu novo foguete lunar nesta segunda-feira (2), no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, interrompendo um teste final considerado decisivo para definir quando astronautas poderão decolar rumo a uma viagem ao redor da Lua. A operação faz parte do ensaio geral da missão Artemis, que simula todas as etapas finais de uma contagem regressiva real.
A equipe de lançamento iniciou o carregamento do foguete Space Launch System (SLS), de 98 metros de altura, ao meio-dia, utilizando hidrogênio e oxigênio superfrios. Ao todo, mais de 2,6 milhões de litros deveriam ser transferidos para os tanques e mantidos por várias horas, reproduzindo as condições de um lançamento oficial.
Poucas horas após o início do processo, sensores detectaram excesso de hidrogênio na parte inferior do foguete. Diante do alerta, o carregamento de hidrogênio foi temporariamente suspenso, com apenas cerca de metade do estágio central abastecido. A operação estava prevista para se estender ao longo de todo o dia.
A equipe técnica passou a trabalhar imediatamente para identificar e corrigir o problema, utilizando procedimentos já adotados no único lançamento anterior do SLS, realizado há três anos. Na ocasião, o voo de teste também enfrentou vazamentos de hidrogênio, o que atrasou a decolagem por meses, até que o foguete finalmente fosse lançado.
Enquanto o teste ocorria na Flórida, a tripulação da missão acompanhava o ensaio a cerca de 1.600 quilômetros de distância, em Houston, no Texas, onde fica o Centro Espacial Johnson. O grupo é formado por três astronautas americanos e um canadense, que estão em quarentena há aproximadamente uma semana e meia, aguardando a definição do cronograma final.
O ensaio geral é considerado fundamental para confirmar se todos os sistemas estão prontos para o voo. A partir do resultado dessa simulação, a Nasa decidirá se mantém ou não a data de lançamento da primeira missão lunar tripulada em mais de meio século.
Com dois dias de atraso provocados por uma forte onda de frio, a agência programou os relógios de contagem regressiva para serem interrompidos cerca de 30 segundos antes do zero, pouco antes da ignição dos motores. A contagem começou na noite de sábado, permitindo que os controladores revisassem todos os procedimentos e lidassem com eventuais falhas remanescentes. Em 2022, vazamentos de hidrogênio mantiveram o primeiro SLS parado na plataforma por vários meses.
Caso a demonstração de abastecimento seja concluída com sucesso a tempo, a Nasa poderá lançar o comandante Reid Wiseman e sua tripulação já no próximo domingo. O foguete precisa decolar até o dia 11 de fevereiro; caso contrário, a missão será adiada para março. A janela de lançamento é limitada a poucos dias por mês, e as temperaturas extremamente baixas já reduziram o período disponível em fevereiro.
A missão terá duração aproximada de dez dias e levará os astronautas para além da Lua, passando pelo lado oculto do satélite natural, antes do retorno à Terra. O objetivo é testar os sistemas de suporte de vida da cápsula e outros equipamentos essenciais. Não está prevista entrada em órbita lunar nem tentativa de pouso.
A última vez que a Nasa enviou astronautas à Lua foi durante o programa Apollo, entre as décadas de 1960 e 1970. O programa Artemis busca estabelecer uma presença mais duradoura no entorno lunar, e a missão comandada por Wiseman é considerada um passo preparatório para futuras aterrissagens tripuladas.

