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INTERNACIONAL

Trump nega guerra com Venezuela após captura de Maduro

Presidente dos EUA diz que país combate traficantes e promete reconstruir setor de petróleo, enquanto Delcy Rodríguez assume comando interino em Caracas

5 janeiro 2026 - 21h30Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (5), em entrevista à NBC News, que o país não está em guerra com a Venezuela, mesmo após a operação militar que resultou na captura do ex-ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no dia 3 de janeiro. Enquanto isso, em Caracas, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina, em uma transição de poder marcada pela presença de seu irmão, Jorge Rodríguez, no comando da Assembleia Nacional.

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Trump nega guerra e fala em combate ao tráfico

Durante a entrevista, Trump foi questionado diretamente se os Estados Unidos estavam em guerra com a Venezuela. Ele negou.

“Não, não estamos (em guerra)”, afirmou. “Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”, disse, ao tentar justificar a operação que levou à retirada de Maduro do território venezuelano.

O presidente também foi perguntado sobre o futuro político do país após a captura do ex-líder venezuelano e descartou a possibilidade de eleições rápidas.

“Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, declarou, ao rejeitar a hipótese de um pleito em 30 dias.

Para Trump, será necessário um período de reconstrução antes que os venezuelanos possam voltar às urnas. “Não, vai levar um tempo. Precisamos... precisamos cuidar para que o país se recupere”, afirmou.

Reconstrução do petróleo com apoio das empresas

Ao longo dos cerca de 20 minutos de entrevista, o presidente americano também falou sobre os planos dos Estados Unidos para a economia venezuelana, em especial o setor de petróleo.

Trump disse que os EUA podem subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética da Venezuela. Segundo ele, seria um projeto relativamente rápido, embora caro.

“Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas vai custar muito dinheiro”, afirmou. “Uma quantia enorme terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita.”

A proposta coloca as grandes empresas do setor no centro da recuperação econômica venezuelana, sob coordenação direta de Washington.

Grupo americano vai supervisionar atuação na Venezuela

Trump também detalhou o grupo de autoridades que vai supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela. Ele citou o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente, JD Vance.

“É um grupo que abrange tudo. Eles têm conhecimentos diversos, conhecimentos diferentes”, afirmou.

Questionado sobre quem teria a palavra final nas decisões sobre a Venezuela, o presidente foi direto: “Eu”.

Delcy Rodríguez assume presidência interina

Enquanto Trump buscava mostrar controle da situação do lado americano, em Caracas a cúpula do chavismo tentava sinalizar que o país segue com governo próprio. Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, tomou posse como presidente interina da Venezuela no edifício do Parlamento nacional.

Ela foi empossada pelo irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Juntos, os dois passam a ocupar os principais cargos do Executivo e do Legislativo venezuelanos, concentrando o comando político do país durante o período de transição.

Em seu discurso de posse, Delcy disse que pretende trabalhar com a administração Trump, mas fez críticas duras à operação dos Estados Unidos no último sábado, 3 de janeiro.

“Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria”, declarou, com a mão direita levantada.

Ela classificou a prisão de Maduro e Cilia Flores como um “sequestro” e chamou o casal de “heróis”.

Discurso de confronto e pedidos de união interna

Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da nova presidente interina, também discursou. Ele afirmou que seu principal objetivo é trazer Maduro de volta ao poder, a quem se referiu como “irmão” e presidente, e elogiou os “heróis” mortos no ataque americano de sábado.

O parlamentar defendeu a união entre chavistas e oposicionistas. “Unidos, venceremos”, afirmou, ao pedir diálogo com os adversários políticos.

Nicolás Maduro Guerra, filho de Maduro, também manifestou apoio a Delcy Rodríguez. Ele prometeu “apoio incondicional” à nova presidente interina e se dirigiu ao pai em tom emotivo.

“Conte comigo, conte com a minha família e conte com a nossa firmeza em dar os passos certos nesta responsabilidade que lhe foi confiada hoje”, disse. Em seguida, falou diretamente ao ex-presidente: “A pátria está em boas mãos, pai, e em breve nos abraçaremos aqui na Venezuela.”

Regime tenta mostrar autonomia frente aos EUA

A movimentação política em Caracas teve como objetivo principal mostrar, tanto para a população quanto para a comunidade internacional, que a Venezuela continua sendo administrada por autoridades locais.

Parlamentares alinhados ao partido governista, incluindo o filho de Maduro, reuniram-se na capital venezuelana para dar continuidade à cerimônia de posse da Assembleia Nacional, cujo mandato vai até 2031.

Na sessão, eles reelegeram Jorge Rodríguez para a presidência da Casa e fizeram discursos centrados na condenação à captura de Maduro pelas forças americanas no sábado.

“Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer nação que se recuse a se submeter”, afirmou Nicolás Maduro Guerra, em sua primeira aparição pública desde a operação.

“Este não é um problema regional. É uma ameaça direta à estabilidade política global”, acrescentou, ao exigir a devolução de Maduro e de Cilia Flores à Venezuela e pedir apoio internacional.

O filho único do ex-presidente também denunciou ter sido citado como co-conspirador na acusação federal que imputa crimes ao pai e à madrasta.

Maduro se declara inocente em tribunal americano

Enquanto a cúpula chavista discursava em Caracas, Nicolás Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal dos Estados Unidos. Em audiência realizada em Nova York, ele respondeu às acusações de narcoterrorismo usadas pela administração Trump para justificar sua captura e transferência ao país.

Maduro declarou-se “inocente” e um “homem decente” ao se manifestar sobre as acusações federais de tráfico de drogas.

O ex-presidente venezuelano e Cilia Flores foram levados para um presídio federal no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde seguem detidos enquanto o processo avança na Justiça norte-americana.

Trump afirmou que os Estados Unidos vão “administrar” temporariamente a Venezuela, mas o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou no domingo que Washington não pretende governar o dia a dia do país, limitando-se a aplicar uma “quarentena do petróleo” já existente.

Entre tensão e acenos diplomáticos

Apesar do tom duro contra a operação americana, Delcy Rodríguez também buscou abrir espaço para uma relação menos conflituosa com Washington.

No domingo, ela afirmou que a Venezuela busca “relações respeitosas” com os Estados Unidos, o que representou uma mudança em relação ao discurso mais desafiador adotado logo após a captura de Maduro.

A fala conciliatória veio depois de Trump ter dito que Delcy poderia “pagar um preço muito alto” caso não atendesse às exigências dos Estados Unidos.

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