
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a criação do chamado Conselho da Paz, iniciativa que pretende atuar na resolução de conflitos globais. Segundo o chefe da Casa Branca, mais de 20 países já aceitaram integrar o grupo, enquanto outros recusaram o convite ou ainda avaliam a adesão.
De acordo com Trump, o foco inicial do conselho será a Faixa de Gaza, com a possibilidade de expansão para outras regiões em conflito ao redor do mundo. Ao apresentar a proposta, o presidente afirmou que o grupo reúne “líderes muito populares” e, em alguns casos, “nem tão populares assim”, comentário que provocou risos entre os participantes do evento.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que alguns governos sinalizaram interesse, mas dependem da aprovação de seus parlamentos para confirmar a participação. Segundo ele, o governo dos EUA também recebeu consultas de países que não haviam sido inicialmente convidados, demonstrando interesse em integrar a nova articulação diplomática.
Trump afirmou ainda que convidou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para fazer parte do conselho. O Kremlin, no entanto, informou que Moscou ainda consulta seus “parceiros estratégicos” antes de decidir se aceitará o convite. Até o momento, não houve confirmação oficial da adesão russa.
A proposta encontrou resistência em parte da Europa. França, Noruega e Suécia indicaram que não participarão do grupo. Autoridades francesas destacaram que, embora apoiem esforços de paz para Gaza, há receio de que o conselho tente ocupar o espaço da Organização das Nações Unidas (ONU) como principal fórum internacional para a resolução de conflitos.
A Eslovênia também demonstrou cautela. O primeiro-ministro Robert Golob afirmou que “ainda não chegou a hora de aceitar o convite”, segundo a agência STA. A principal preocupação do governo esloveno é o mandato amplo do conselho, que poderia, na avaliação do país, fragilizar a ordem internacional baseada na Carta da ONU. Canadá, Ucrânia, China e a União Europeia ainda não se posicionaram oficialmente.
Na terça-feira (20), Trump mencionou o Brasil ao comentar a iniciativa e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ter um “grande papel” no conselho. O governo brasileiro confirmou o convite, mas informou que Lula prefere analisar o contexto geopolítico e o papel efetivo da entidade antes de tomar uma decisão.
O conselho também recebeu um convite de caráter simbólico. O papa Leão XIV foi chamado a integrar o grupo, conforme anunciou na quarta-feira (21) o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.
Veja a seguir as listas completas dos países que aceitaram integrar o conselho, dos que negaram e dos que ainda não responderam.
Países que já aceitaram participar
Albânia
Argentina
Arábia Saudita
Armênia
Azerbaijão
Bahrein
Bulgária
Catar
Cazaquistão
Egito
Emirados Árabes Unidos
Hungria
Indonésia
Israel
Jordânia
Kosovo
Marrocos
Mongólia
Paquistão
Turquia
Uzbequistão
Vietnã
Bielorrússia
Países que recusaram
Eslovênia
França
Noruega
Reino Unido
Suécia
Países que ainda não responderam
Alemanha
Brasil
Canadá
China
Chipre
Croácia
Grécia
Índia
Itália
Paraguai
Rússia
Singapura
Tailândia
Ucrânia
União Europeia

