
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na segunda-feira (19) que convidou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para integrar o chamado Conselho de Paz, iniciativa lançada por ele com o objetivo de discutir conflitos internacionais. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas na Flórida.
Questionado diretamente sobre o convite, Trump foi sucinto. “Sim, ele foi convidado”, respondeu, sem detalhar como funcionaria a participação do líder russo no grupo.
No mesmo dia, Trump também voltou a usar o discurso de pressão econômica ao afirmar que pode impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A ameaça ocorreu após o presidente da França, Emmanuel Macron, recusar o convite para integrar o Conselho de Paz. Segundo Trump, a decisão de Macron poderia ser revista. “Vou impor uma tarifa de 200%. E ele vai se juntar. Mas ele não precisa se juntar”, declarou.
A confirmação do convite a Putin provocou reação imediata de aliados dos Estados Unidos. O Reino Unido manifestou preocupação com a possibilidade de o presidente russo integrar o conselho. Em declaração oficial, o porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer citou também o nome do presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, aliado próximo de Moscou.
“Estamos preocupados com as notícias de que Putin e Lukashenko poderiam ser membros desse conselho”, afirmou o porta-voz. Ele destacou ainda que a postura do líder russo não indica compromisso com negociações de paz. “Putin é o agressor em uma guerra ilegal contra a Ucrânia e tem demonstrado repetidamente que não leva a paz a sério”, acrescentou.
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, confirmou que também recebeu convite para participar do Conselho de Paz. No entanto, deixou claro o desconforto com a possibilidade de dividir espaço com o líder russo. Segundo ele, a proposta ainda está sendo analisada pela diplomacia ucraniana.
“Recebemos o convite; nossos diplomatas estão trabalhando nisso”, disse Zelenski a jornalistas. Na sequência, afirmou ser “muito difícil imaginar” a Ucrânia sentada ao lado da Rússia em qualquer tipo de conselho internacional.
De acordo com o plano apresentado por Trump, o Conselho de Paz deve iniciar os debates pela situação na Faixa de Gaza e, posteriormente, ampliar a atuação para outros conflitos e áreas de instabilidade ao redor do mundo. A proposta, no entanto, já levanta questionamentos sobre uma possível sobreposição de funções com organismos multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
A iniciativa ainda carece de detalhes formais, mas já provoca repercussão diplomática e divisões entre aliados históricos dos Estados Unidos.

