
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia diferentes caminhos para anexar a Groenlândia e não descarta o uso das Forças Armadas para atingir esse objetivo. A informação foi confirmada nesta terça-feira (6) pela Casa Branca, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington, a Dinamarca e aliados europeus.
Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump considera a aquisição da Groenlândia uma prioridade estratégica. “O presidente deixou claro que adquirir a Groenlândia é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir nossos adversários na região do Ártico”, afirmou, em comunicado oficial.
Leavitt acrescentou que o tema vem sendo debatido internamente. “O presidente e sua equipe estão discutindo várias opções para alcançar esse importante objetivo da política externa e, evidentemente, o recurso ao Exército dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe”, declarou.
Interesse antigo e novo contexto
O desejo de Trump pela Groenlândia voltou ao centro do debate no último fim de semana, após os Estados Unidos invadirem a Venezuela e prenderem o presidente Nicolás Maduro. Em entrevista à revista The Atlantic, no domingo (4), o republicano reforçou a importância estratégica da ilha no Ártico.
“Precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa”, disse Trump, ao ser questionado se a ofensiva na Venezuela indicaria maior disposição para intervenções militares em outros territórios estratégicos.
O interesse americano pela ilha remonta ao primeiro mandato de Trump, quando ele chegou a sugerir a compra do território. A Groenlândia é vista como estratégica pela sua posição geopolítica no Ártico, além de possuir reservas de terras raras e recursos minerais considerados essenciais para a indústria e a defesa.
Reação da Dinamarca e da Otan
As declarações provocaram reação imediata da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que classificou qualquer tentativa de anexação como uma ameaça direta à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
“Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da Otan, tudo para”, afirmou Frederiksen à emissora dinamarquesa TV2, na segunda-feira (5). A Groenlândia, embora semiautônoma, integra o Reino da Dinamarca e, por consequência, está sob o guarda-chuva da aliança militar.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também criticou duramente as falas de Trump. A posição foi endossada por líderes europeus, que divulgaram uma declaração conjunta em defesa da soberania da ilha. França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido afirmaram que “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”.
Provocação nas redes sociais
A crise ganhou novo capítulo no sábado, quando Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, publicou no X uma imagem da Groenlândia envolta na bandeira dos Estados Unidos, acompanhada da palavra “Soon” (“em breve”).
A postagem foi classificada como desrespeitosa por autoridades locais. O embaixador da Dinamarca nos EUA, Jesper Moller Sorensen, respondeu afirmando que os países são aliados próximos e que o Reino da Dinamarca tem ampliado seus investimentos em segurança no Ártico. “Esperamos total respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca”, disse.
Jens Frederik Nielsen também reagiu. “Nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por postagens em redes sociais”, declarou. Já Mette Frederiksen reforçou que “não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre os Estados Unidos assumirem a Groenlândia”.
Relação sob desgaste
As relações entre Washington e Copenhague vêm se deteriorando desde o início do segundo mandato de Trump. Em março, o vice-presidente J.D. Vance visitou uma base militar americana na Groenlândia e acusou a Dinamarca de investir pouco na ilha. Em agosto, autoridades dinamarquesas convocaram diplomatas dos EUA após denúncias de operações secretas e espionagem envolvendo pessoas ligadas ao presidente americano.
No fim de dezembro, a nomeação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos EUA para a Groenlândia aprofundou o mal-estar diplomático. Na ocasião, líderes dinamarqueses e groenlandeses voltaram a exigir respeito à integridade territorial da ilha.

