
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (4) que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, enfrentará “um preço muito alto” caso não atue de acordo com as expectativas do governo americano. A declaração foi dada em entrevista por telefone à revista The Atlantic e eleva o tom da pressão dos Estados Unidos sobre a nova liderança venezuelana após a captura de Nicolás Maduro.
“Se não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse Trump, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas contra Rodríguez.
Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou um discurso semelhante em entrevista à emissora CBS News. Ele afirmou que Washington está disposto a dialogar com as atuais lideranças da Venezuela, desde que sejam tomadas “as decisões certas”.
“Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem. Se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses”, afirmou Rubio no programa Face the Nation.
Exigências dos Estados Unidos - Questionado diretamente sobre Delcy Rodríguez, Rubio evitou antecipar cenários, mas deixou claro que o governo americano seguirá atento aos próximos passos em Caracas. Segundo ele, os objetivos de Washington permanecem inalterados, mesmo após a mudança no comando do país.
“Queremos que o narcotráfico cesse. Não queremos mais gangues chegando ao nosso território. Queremos que a indústria do petróleo beneficie o povo, e não piratas ou adversários dos Estados Unidos”, declarou o secretário de Estado.
O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que Rodríguez assumisse a presidência interina após a prisão de Maduro, capturado em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. Para Rubio, o ex-presidente venezuelano já não era um interlocutor possível.
“Trata-se de alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou. Em várias ocasiões, oferecemos a possibilidade de ele deixar o poder”, disse.
Pressão militar segue em debate - Durante a entrevista, Rubio também foi questionado sobre a possibilidade de envio de tropas americanas ao território venezuelano. Ele classificou o tema como uma “obsessão da opinião pública”, mas afirmou que a opção não está descartada pelo governo Trump.
O secretário explicou que os Estados Unidos mantêm uma espécie de “quarentena” militar em torno da Venezuela, com o objetivo de impedir a circulação de petroleiros submetidos a sanções americanas. A medida, segundo ele, continuará em vigor como forma de pressionar a nova liderança do país.
“Essa pressão vai continuar até que vejamos mudanças. Isso serve tanto para proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos quanto para abrir caminho a um futuro melhor para o povo venezuelano”, afirmou.
Petróleo no centro das negociações - O setor de petróleo voltou a ocupar papel central nas declarações do governo americano. Rubio afirmou que a Venezuela não tem capacidade técnica ou financeira para reativar plenamente sua indústria petrolífera sem ajuda externa.
“Eles precisam de investimento de empresas privadas, e essas empresas só vão investir sob certas garantias e condições”, disse.
Segundo informações publicadas pelo The New York Times, Delcy Rodríguez teria causado uma boa impressão inicial ao governo Trump por sua atuação na gestão das reservas de petróleo do país. Pessoas envolvidas nas conversas indicaram que intermediários convenceram Washington de que a presidente interina poderia proteger e incentivar futuros investimentos de empresas energéticas americanas.
Após um colapso econômico severo entre 2013 e 2021, Delcy liderou medidas consideradas favoráveis ao mercado, incluindo privatizações de ativos estatais e uma política fiscal mais conservadora. Essas ações deram à Venezuela uma aparência de maior estabilidade econômica antes da campanha militar dos Estados Unidos que resultou na prisão de Maduro.
Eleições ficam em segundo plano - Apesar das cobranças por mudanças políticas, Rubio afirmou que discutir eleições na Venezuela neste momento seria precipitado. Segundo ele, o foco imediato dos Estados Unidos está na resolução de problemas herdados do governo anterior.
“Tudo isso é prematuro neste momento. O que nos interessa agora são os problemas que já existiam quando Maduro estava no poder e que ainda precisam ser resolvidos”, declarou.
A fala indica que Washington pretende condicionar qualquer avanço político interno a medidas práticas adotadas pela liderança interina, mantendo a pressão diplomática, econômica e militar enquanto avalia os próximos passos do governo venezuelano.

