Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
18 de janeiro de 2026 - 17h31
sesi
POLÍTICA EXTERNA

Republicanos tentam frear Trump após ameaças dos EUA à Groenlândia

Pressão no Congresso cresce diante do temor de crise com a Dinamarca e desgaste da Otan

18 janeiro 2026 - 15h30Stephen Groves (Associated Press)
Congresso dos EUA reage às declarações de Trump sobre a Groenlândia e tenta evitar crise com aliados europeus.
Congresso dos EUA reage às declarações de Trump sobre a Groenlândia e tenta evitar crise com aliados europeus. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Parlamentares do Partido Republicano passaram a se mobilizar para tentar conter as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de tomar posse da Groenlândia. As ameaças, feitas de forma reiterada pelo presidente, vêm provocando reações no Congresso e ampliando o debate sobre os rumos da política externa americana e o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Canal WhatsApp

Nas últimas semanas, republicanos e democratas adotaram uma postura pouco comum de convergência ao tratar do tema. Discursos no plenário do Congresso ressaltaram a importância estratégica da Otan, enquanto projetos de lei começaram a tramitar com o objetivo de impedir qualquer ação militar dos Estados Unidos contra a Dinamarca, país ao qual a Groenlândia está ligada.

Além das movimentações internas, uma delegação bipartidária viajou a Copenhague para reuniões com autoridades dinamarquesas. O gesto buscou demonstrar compromisso com a aliança histórica entre os países e reduzir tensões geradas pelas falas do presidente americano.

Apesar disso, não há garantia de que a ofensiva do Congresso será suficiente. Trump segue insistindo publicamente que pretende assumir o controle da ilha localizada no Ártico, o que alimenta temores sobre um possível enfraquecimento da Otan, considerada há décadas um dos principais pilares da influência dos Estados Unidos na Europa e no cenário global.

Temor de ruptura na aliança militar - As declarações de Trump têm provocado preocupação tanto em Washington quanto no exterior. Parlamentares avaliam que a retórica agressiva pode gerar consequências profundas para a ordem internacional, especialmente por envolver um aliado histórico e membro da Otan.

“Quando a nação militar mais poderosa da Terra ameaça seu território por meio de seu presidente repetidas vezes, você começa a levar isso a sério”, afirmou o senador democrata Chris Coons, em declaração à Associated Press.

Segundo Coons, a viagem à Dinamarca teve como objetivo “baixar um pouco a temperatura” do debate e abrir espaço para conversas mais construtivas, especialmente no que diz respeito à cooperação militar no Ártico, região estratégica tanto do ponto de vista geopolítico quanto ambiental.

A presença de parlamentares republicanos na comitiva deu peso político à iniciativa. Os senadores Thom Tillis, da Carolina do Norte, e Lisa Murkowski, do Alasca, acompanharam democratas na agenda internacional, reforçando o esforço de diálogo com os aliados europeus.

Diálogo com Dinamarca e Groenlândia - Além da viagem a Copenhague, parlamentares republicanos participaram de reuniões em Washington, na semana passada, com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e com o representante do governo da Groenlândia. Os encontros trataram de acordos de segurança e da cooperação no Ártico, área vista como estratégica diante das mudanças climáticas e do aumento da presença militar de outras potências na região.

O movimento do Congresso ocorre em meio a manifestações populares na Groenlândia e na própria Dinamarca, onde milhares de pessoas protestaram contra as declarações de Trump e contra o anúncio de tarifas impostas a países europeus. A União Europeia também convocou reuniões de emergência para discutir os impactos políticos e econômicos da crise.

Autoridades dinamarquesas têm reiterado que a defesa da Groenlândia é de interesse comum da Otan e que qualquer discussão sobre o futuro do território deve respeitar acordos internacionais e a vontade da população local.

Congresso tenta limitar danos diplomáticos - No Capitólio, cresce a avaliação de que a postura do presidente pode comprometer relações construídas ao longo de décadas. Parlamentares alertam que ameaças a aliados enfraquecem a confiança mútua e abrem espaço para instabilidade em regiões estratégicas.

Mesmo entre republicanos, o tom adotado por Trump tem provocado desconforto. Alguns veem na atual crise uma das raras situações em que membros do partido se posicionam de forma mais clara contra o presidente desde o início de seu mandato.

A articulação legislativa busca, ao menos, criar barreiras institucionais para impedir ações unilaterais que possam escalar o conflito. Projetos de lei em discussão pretendem restringir o uso de recursos federais para qualquer iniciativa militar contra a Dinamarca ou a Groenlândia sem autorização explícita do Congresso.

Enquanto isso, Trump mantém o discurso de que a Groenlândia tem importância estratégica para os interesses dos Estados Unidos, argumento que segue sendo rejeitado por aliados europeus e por parte expressiva do Legislativo americano.

O impasse coloca em evidência um embate maior: até que ponto o Congresso conseguirá limitar uma política externa marcada por gestos agressivos e imprevisíveis. Para aliados dos Estados Unidos, a resposta a essa pergunta será decisiva para medir a solidez das alianças internacionais nos próximos anos.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop