
A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Mato Grosso do Sul comemora, nesta quarta-feira (19), 38 anos de atuação na preservação do meio ambiente. Criada em 1987 para combater a caça indiscriminada de jacarés, a corporação ampliou suas frentes de trabalho ao longo dos anos e se tornou uma referência nacional no combate a crimes ambientais. Atualmente, a PMA alia fiscalização, educação ambiental e tecnologia para garantir o desenvolvimento sustentável do estado.

De combate à caça ao monitoramento estratégico - Nos primeiros anos de atuação, a PMA teve como missão principal conter a caça predatória de jacarés, prática comum na década de 1980. Após cerca de uma década de esforços, a população da espécie se recuperou, permitindo que a instituição redirecionasse seu foco para o combate à pesca predatória. Com um planejamento estratégico robusto, o efetivo foi distribuído em áreas críticas, como Serra do Amolar, São Lourenço, Manga, Taquari e Barra do Aquidauana, onde unidades operacionais foram reformadas para intensificar a fiscalização.
Além de proteger as riquezas naturais do Pantanal, a PMA acompanha a industrialização do sul do estado, região marcada pelo avanço do agronegócio. Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), os cinco principais produtores agropecuários – Dourados, Maracaju, Ponta Porã, Rio Brilhante e Sidrolândia – somam um PIB de R$ 18,9 bilhões, sendo que 21% desse montante é gerado pela agropecuária. Com mais de 97 mil empregos formais, a região se destaca pelo alto índice de desenvolvimento humano, cenário que exige da PMA um trabalho cada vez mais integrado com outros setores da sociedade.
Reestruturação e ampliação da fiscalização - Para atender às novas demandas ambientais, a PMA passou por uma reestruturação organizacional e hoje opera como um Grande Comando de Policiamento Ambiental. A instituição possui dois batalhões principais: o 1º BPMA, sediado em Campo Grande, responsável pela Bacia do Paraguai, e o 2º BPMA, em Dourados, que atua na Bacia do Paraná.
Com um efetivo de cerca de 400 policiais, a PMA está presente em diversas regiões do estado, garantindo não apenas a fiscalização ambiental, mas também a aplicação de políticas públicas que conciliem o crescimento econômico com a sustentabilidade.
Projetos que promovem a educação ambiental - Ao longo dos anos, a PMA expandiu sua atuação para além da fiscalização e investiu fortemente em educação ambiental, promovendo ações que envolvem comunidades e jovens. O Projeto Florestinha, criado há 33 anos, é um dos principais exemplos dessa iniciativa. Presente em cidades como Campo Grande, Três Lagoas, Costa Rica, Amambai e Corumbá, o projeto atende anualmente cerca de 300 crianças e adolescentes. Após passarem por capacitação com policiais ambientais, esses jovens tornam-se agentes multiplicadores de conhecimento, promovendo palestras e incentivando boas práticas ambientais.
Outra iniciativa de destaque é a Expedição de Educação Ambiental no Pantanal, conduzida pela 2ª Companhia de Corumbá. Em sua 9ª edição, a ação foi reconhecida em Brasília como a melhor iniciativa de segurança pública do estado. O projeto leva educação ambiental a comunidades ribeirinhas e escolas rurais, promovendo atividades em parceria com órgãos públicos e privados.

Investimento em tecnologia para fiscalização eficiente - A modernização da fiscalização ambiental é uma das prioridades da PMA. O Núcleo Técnico Ambiental, com sede em Campo Grande, reúne uma equipe multidisciplinar de policiais com formação técnica para aprimorar o monitoramento de áreas protegidas. A corporação também planeja expandir esses núcleos para unidades estratégicas, como já acontece em Bonito, com o objetivo de descentralizar o atendimento e tornar a fiscalização mais eficiente.
A incorporação de novas tecnologias ao trabalho da PMA fortalece o combate a crimes ambientais, permitindo o uso de drones, imagens de satélite e softwares de georreferenciamento para monitorar áreas de difícil acesso. Essas inovações garantem respostas mais rápidas e eficazes diante das ameaças ambientais.
Compromisso com o futuro sustentável - A atuação da PMA ao longo desses 38 anos reflete a importância da preservação ambiental em um estado que possui um dos biomas mais ricos do mundo. Para o Comandante do Policiamento Ambiental, Coronel José Carlos Rodrigues, a corporação vai além da fiscalização e se consolidou como uma referência na promoção do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental.
"Somos mais do que uma instituição de controle ambiental, somos um exemplo de renúncia e excelência na preservação, assegurando que o desenvolvimento do estado ocorra de forma sustentável e responsável, garantindo um futuro melhor para as próximas gerações", destaca o coronel.
Com desafios cada vez maiores, a Polícia Militar Ambiental segue reforçando seu compromisso com Mato Grosso do Sul, garantindo que a biodiversidade do estado seja protegida para as futuras gerações.
