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04 de janeiro de 2026 - 06h16
LIBERDADE

Paquistão condena jornalistas, youtubers e ex-militares à prisão perpétua por incitação à violência

Sentença envolve aliados de Imran Khan e reacende debate sobre restrições à imprensa no país

3 janeiro 2026 - 08h50Redação
Tribunal antiterrorismo do Paquistão condenou sete pessoas à prisão perpétua em julgamento à revelia
Tribunal antiterrorismo do Paquistão condenou sete pessoas à prisão perpétua em julgamento à revelia - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Um tribunal antiterrorismo do Paquistão condenou sete pessoas à prisão perpétua, entre elas três jornalistas, dois youtubers e dois militares reformados, após considerá-las culpadas por incitar violência e disseminar discurso de ódio contra instituições do Estado durante os distúrbios registrados em 2023.

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A sentença foi anunciada em Islamabad pelo juiz Tahir Abbas Sipra e ocorreu após julgamentos realizados à revelia. Nenhum dos condenados compareceu ao tribunal. Segundo as autoridades, todos deixaram o país nos últimos anos e vivem no exterior para evitar a prisão.

De acordo com o processo, as acusações estão ligadas à onda de violência que tomou o país em maio de 2023, após a prisão do ex-primeiro-ministro Imran Khan, investigado por corrupção. Na ocasião, milhares de apoiadores do político atacaram instalações militares, incendiaram prédios públicos, saquearam a residência de um alto oficial do Exército e causaram danos à sede da estatal Rádio Paquistão.

Imran Khan também foi acusado em 2024 de incentivar ataques contra alvos militares e governamentais, o que ele nega. O ex-primeiro-ministro foi destituído do cargo em abril de 2022, após uma votação de desconfiança no Parlamento.

Segundo a acusação, os sete condenados, conhecidos por defender publicamente Khan, estimularam atos violentos depois que o ex-premiê passou a responsabilizar os Estados Unidos e o Exército paquistanês por sua queda do poder. As acusações foram negadas pelo governo americano, pelas Forças Armadas do Paquistão e pelo atual primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que assumiu o cargo após a destituição de Khan.

Um dos condenados, Sabir Shakir, ex-apresentador de um programa popular da emissora ARY TV, afirmou à agência Associated Press que tinha conhecimento da condenação, mas disse não estar no Paquistão quando foi acusado de incentivar a violência. Ele também criticou o julgamento, alegando que o tribunal decidiu o caso sem ouvir os argumentos da defesa.

Organizações de direitos humanos e sindicatos de jornalistas afirmam que a liberdade de expressão vem sofrendo retrocessos no Paquistão, com aumento das restrições à atuação da imprensa nos últimos anos. O governo de Shehbaz Sharif sustenta que apoia a liberdade de expressão, mas afirma que jornalistas e youtubers devem respeitar princípios éticos e normas básicas do jornalismo.

*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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