
O primeiro dia de 2026 marcou um novo capítulo para a Igreja Católica no Brasil. O papa Leão XIV assinou, nesta quinta-feira (1º), o decreto que cria a diocese de Baturité, no Ceará, desmembrada da arquidiocese de Fortaleza. Para conduzir a nova estrutura eclesiástica, o pontífice nomeou o bispo franciscano capuchinho dom Luís Gonzaga Silva Pepeu.
A criação da diocese de Baturité é a primeira no Ceará desde 1971 e passa a abranger 14 municípios do Maciço de Baturité, reunindo uma população estimada em quase 300 mil habitantes, segundo dados do IBGE. Integram o novo território eclesiástico as cidades de Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Pacoti, Ocara, Palmácia, Paramoti e Redenção.
A nova diocese conta com 21 paróquias, uma área pastoral e uma extensão territorial superior a 7 mil quilômetros quadrados, localizada a oeste da capital cearense. Inicialmente, o trabalho pastoral será desenvolvido por 28 sacerdotes diocesanos, além de outros 11 padres, um diácono permanente, seis seminaristas, dez religiosos leigos e 31 religiosas.
Em sua primeira manifestação após a nomeação, dom Pepeu afirmou receber a missão com espírito de serviço e confiança. Segundo ele, o desafio será fortalecer a presença da Igreja junto às comunidades locais, promovendo uma evangelização mais próxima e eficaz.
Natural de Caruaru, em Pernambuco, dom Luís Gonzaga Pepeu nasceu em 1957 e foi ordenado presbítero em 1982. Ao longo de sua trajetória religiosa, exerceu funções de destaque, como ministro provincial dos capuchinhos, presidente da Conferência dos Capuchinhos do Brasil e capelão da Comunidade Portuguesa em Washington, nos Estados Unidos. Também atuou na Cúria Geral da Ordem dos Capuchinhos, em Roma.
Na área acadêmica, dom Pepeu é mestre e doutor em Direito Canônico, com formação pela Universidade Católica da América, em Washington, e pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em Roma. Ele é professor da disciplina e possui ampla atuação no campo jurídico-eclesiástico.
Nomeado bispo em 2001 por São João Paulo II, foi transferido em 2008 pelo papa Bento XVI para a arquidiocese de Vitória da Conquista, na Bahia, onde atuou como arcebispo metropolitano. Também exerceu funções na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e integrou a comissão responsável pela implementação do Acordo Brasil–Santa Sé.
A CNBB manifestou, em nota, satisfação com a criação da nova diocese, destacando que a decisão reforça o compromisso da Igreja com a missão evangelizadora e com a proximidade junto ao povo. O arcebispo de Fortaleza, dom Gregório Paixão, também celebrou a criação da diocese, afirmando que a medida atende à necessidade de ampliar o cuidado pastoral na região do Maciço de Baturité.
Como catedral da nova diocese, foi designada a Igreja Matriz Nossa Senhora da Palma, localizada em Baturité. Considerado um dos principais símbolos religiosos e culturais da região, o templo teve sua construção iniciada em 1764 e foi concluído em 1784, sendo reconhecido como patrimônio histórico e de fé para a população local.

