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GERAL

Orelhões terão desligamento definitivo no Brasil até o fim de 2028

Últimos 30 mil telefones públicos serão desativados após o fim das concessões

20 janeiro 2026 - 14h40
Orelhões, criados nos anos 1970, devem ser desligados definitivamente até o fim de 2028
Orelhões, criados nos anos 1970, devem ser desligados definitivamente até o fim de 2028 - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os telefones de uso público, conhecidos popularmente como orelhões, já têm data para sair de cena no Brasil. Os cerca de 30 mil equipamentos ainda em funcionamento no país devem ser aposentados definitivamente até o final de 2028, encerrando um ciclo iniciado há mais de cinco décadas.

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Lançados em 1972, os orelhões fazem parte de um projeto nacional assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil. Durante décadas, esses aparelhos foram símbolo de acesso democrático à comunicação e chegaram a formar uma rede com mais de 1,5 milhão de terminais espalhados pelo território nacional.

A manutenção dos telefones públicos era uma obrigação das concessionárias de telefonia fixa, como contrapartida pelos serviços prestados à população. No entanto, esse modelo começou a mudar com o avanço da telefonia móvel e da internet.

Os contratos de concessão que previam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e chegaram oficialmente ao fim em dezembro de 2025. A partir desse encerramento, teve início o processo de adaptação do serviço para o regime de autorizações, que prevê a extinção gradual dos telefones públicos dentro do plano de universalização do acesso à telefonia no país.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o término das concessões abriu espaço para uma revisão do modelo adotado até então. A avaliação foi de que seria necessário estimular investimentos em redes de suporte à banda larga, em vez de manter uma estrutura cada vez menos utilizada pela população.

Nesse contexto, as concessionárias buscaram acordos com o poder público para adaptar a concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime privado de autorizações. A transição, porém, enfrentou obstáculos adicionais, como a crise financeira da Oi, uma das maiores operadoras do país, que enfrenta dificuldades desde 2016 e tem processo de falência em andamento.

Na prática, nem todos os orelhões serão desligados de forma imediata. Cerca de 9 mil telefones de uso coletivo permanecerão ativos em localidades onde não exista, ao menos, cobertura da rede móvel 4G. Atualmente, a maior concentração desses equipamentos está no estado de São Paulo, e a localização pode ser consultada no site da Anatel.

De acordo com a agência reguladora, as empresas assumiram o compromisso de manter a oferta do serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz, inclusive por meio dos orelhões, até 31 de dezembro de 2028, em localidades onde forem as únicas prestadoras presentes. O serviço poderá ser garantido por diferentes tecnologias.

Além disso, as operadoras também se comprometeram a realizar investimentos em infraestrutura de telecomunicações no país. Entre as ações previstas estão a implantação de fibra óptica em regiões sem esse tipo de rede, instalação de antenas de telefonia celular com tecnologia mínima 4G, expansão da cobertura móvel em municípios, construção de cabos submarinos e fluviais, ampliação da conectividade em escolas públicas e implantação de data centers.

Atualmente, a operadora com maior número de orelhões em funcionamento é a Oi, que mantém 6.707 unidades. Já Vivo, Algar e Claro devem desligar suas redes ainda este ano, restando cerca de 2 mil equipamentos sob responsabilidade dessas empresas. Outros 500 telefones públicos pertencem à Sercomtel e estão localizados nos municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná. Esses só poderão ser retirados após a adaptação contratual necessária.

Há também orelhões cuja manutenção não é obrigatória pelas operadoras. Nesses casos, o desligamento pode ser solicitado diretamente às empresas. Se não houver atendimento, o pedido pode ser registrado junto à Anatel pelo telefone 1331 ou pelo portal da agência na internet.

O fim dos orelhões marca uma mudança definitiva no acesso à comunicação no Brasil, refletindo a transformação tecnológica e o avanço da telefonia móvel e da internet no cotidiano da população.

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