
A oposição ao chavismo denunciou nesta segunda-feira (9) a nova prisão de Juan Pablo Guanipa, ocorrida poucas horas depois de sua libertação. Segundo aliados do político, ele foi levado à força por homens armados em Caracas, em uma ação classificada como sequestro. O Ministério Público da Venezuela afirma que Guanipa violou os termos impostos para sua soltura e, por isso, voltou a ser detido.
De acordo com a líder da oposição, María Corina Machado, a abordagem aconteceu no bairro Los Chorros, quando homens fortemente armados, à paisana, chegaram em quatro veículos e levaram o político contra a sua vontade.
“Juan Pablo Guanipa foi sequestrado no bairro de Los Chorros, em Caracas. Homens fortemente armados o levaram à força. Exigimos sua libertação imediata”, afirmou Machado.
Sem detalhar quais teriam sido as irregularidades cometidas, o Ministério Público informou apenas que Guanipa descumpriu as condições estabelecidas pela Justiça. Em nota, o órgão ressaltou que as medidas cautelares só permanecem válidas quando há cumprimento integral das obrigações impostas e solicitou aos tribunais que adotem o regime de prisão domiciliar.
O filho do político, Ramón Guanipa, afirmou em um vídeo publicado nas redes sociais que o pai foi vítima de uma emboscada pouco antes da meia-noite. Segundo ele, cerca de dez homens armados e não identificados participaram da ação.
“Meu pai foi novamente sequestrado”, disse.
Mais cedo, no domingo (8), a família havia confirmado que Guanipa havia deixado a prisão. Após a libertação, ele afirmou que permaneceu dez meses escondido e quase nove meses detido, destacando a necessidade de discutir o futuro do país “com a verdade em primeiro plano”.
Prisão política - Juan Pablo Guanipa é considerado preso político do regime chavista. Ele foi detido em maio de 2025, após meses escondido, acusado de liderar um suposto complô terrorista. Sua prisão ocorreu depois de questionar publicamente a vitória de Nicolás Maduro nas eleições de 2024, um processo eleitoral que a oposição classifica como sem transparência e cuja vitória reivindica.
As recentes liberações de presos políticos na Venezuela ocorreram em meio à pressão internacional sobre o governo, especialmente após a prisão de Maduro pelos Estados Unidos e a colocação do Palácio de Miraflores sob tutela, em janeiro. As solturas também coincidiram com a visita de representantes do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos ao país.
