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01 de fevereiro de 2026 - 17h05
INTERNACIONAL

Novos arquivos de Epstein citam Trump e bilionários e expõem falhas de investigações antigas

Documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA reúnem denúncias não comprovadas e e-mails inéditos

1 fevereiro 2026 - 15h30Redação O Estado de S. Paulo*
Departamento de Justiça dos EUA divulgou o maior lote de arquivos já tornado público sobre o caso Jeffrey Epstein.
Departamento de Justiça dos EUA divulgou o maior lote de arquivos já tornado público sobre o caso Jeffrey Epstein. - (Foto: Netflix\ Divulgação)

A divulgação de um novo e volumoso conjunto de arquivos ligados a Jeffrey Epstein reacendeu o debate sobre os vínculos do financista condenado por crimes sexuais com figuras influentes da política e dos negócios nos Estados Unidos. Tornados públicos na sexta-feira, 30, pelo Departamento de Justiça norte-americano, os documentos mencionam o presidente Donald Trump, além de empresários como Bill Gates, Elon Musk e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

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O material divulgado é o maior lote já tornado público sobre o caso Epstein. Ao todo, são mais de três milhões de páginas de documentos, além de milhares de vídeos e imagens. Entre os registros, há denúncias encaminhadas às autoridades ao longo de anos, muitas delas não corroboradas, que indicam o grau de conhecimento dos investigadores sobre os abusos cometidos por Epstein contra meninas menores de idade antes da decisão de não apresentarem acusações federais contra ele, há quase duas décadas.

De acordo com os arquivos, pelo menos 4,5 mil documentos fazem menção direta a Donald Trump. Um deles é um resumo elaborado por agentes do FBI a partir de mais de uma dúzia de denúncias feitas por cidadãos envolvendo o então empresário e Epstein. Não há explicação clara sobre o motivo da elaboração desse documento, que reúne acusações de abuso sexual atribuídas a ambos.

Os registros não apresentam provas que confirmem as denúncias. Segundo o próprio material, tratam-se de relatos enviados ao Centro Nacional de Operações contra Ameaças do FBI, na Virgínia Ocidental, unidade responsável por receber comunicações do público de todo o país. Parte dos episódios descritos é classificada nos arquivos como “não crível”.

Trump nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Procurada pelo The New York Times, a Casa Branca remeteu a uma nota do Departamento de Justiça, que alertou que os documentos divulgados podem conter materiais falsos ou obtidos de forma fraudulenta.

Entre as denúncias, há um relato anônimo no qual uma mulher afirma que uma amiga, à época com “13 ou 14 anos”, teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump. Segundo o depoimento, o episódio teria ocorrido em New Jersey, cerca de 35 anos atrás, embora não haja data precisa. O documento afirma que a denúncia foi encaminhada a outras instâncias da investigação, sem detalhar os desdobramentos.

Outro trecho dos arquivos revela uma troca de e-mails de maio de 2016 entre Epstein e a advogada Kathy Ruemmler, que atuou na Casa Branca durante o governo Barack Obama. Na conversa, Epstein menciona uma acusação feita por uma jovem aliciada por ele e por Ghislaine Maxwell, segundo a qual teria mantido relações com Trump quando era menor de idade, em uma de suas propriedades. A mensagem sugere que a defesa das vítimas teria procurado Trump. O caso, no entanto, não avançou.

Até a noite de sábado, o presidente norte-americano não havia se manifestado sobre a nova divulgação.

Os documentos também trazem e-mails e anotações redigidas por Epstein sobre Bill Gates, cofundador da Microsoft. Em mensagens escritas em julho de 2013, Epstein sugere que o bilionário mantinha relações extraconjugais. Não está claro se essas mensagens chegaram a ser enviadas a Gates.

Em nota, um representante da Fundação Gates classificou as alegações como “absurdas e completamente falsas”, atribuindo os relatos à frustração de Epstein após não conseguir manter uma relação próxima com o empresário. Segundo a fundação, os documentos apenas demonstram a tentativa de difamação por parte do financista.

As mensagens foram escritas pouco depois de uma tentativa frustrada de Epstein de intermediar um negócio entre a Fundação Gates e o JPMorgan Chase, o que teria comprometido uma possível fonte de renda para ele. Em um dos textos, Epstein afirma ter ajudado Gates a obter drogas e a marcar encontros com mulheres, além de criticar o distanciamento do bilionário para preservar sua reputação.

Em entrevista à CNN em 2021, Gates afirmou que seu relacionamento com Epstein foi “um grande erro” e disse que os encontros ocorreram com o objetivo de buscar doações para a fundação. A relação entre os dois foi um dos fatores citados por Melinda French Gates no processo de divórcio.

Em outro e-mail de 2013, Epstein afirma ter deixado cargos ligados à Fundação Gates e a um think tank fundado pelo empresário por estar envolvido em uma disputa conjugal entre Bill e Melinda, alegando ter sido convidado a participar de situações moralmente e eticamente questionáveis.

Os arquivos incluem ainda uma troca de e-mails de 2013 entre Epstein e Richard Branson, fundador do Virgin Group. Em uma das mensagens, Branson se despede de Epstein de forma informal e faz referência a mulheres, sugerindo uma relação próxima entre os dois.

Em resposta, um porta-voz do Virgin Group informou que o encontro ocorreu em uma reunião de negócios na ilha particular de Branson e afirmou que o empresário considera as ações de Epstein “abomináveis”, além de apoiar o direito das vítimas à justiça.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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