Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
15 de fevereiro de 2026 - 21h29
aguas
EDUCAÇÃO

Novo Plano Nacional de Educação é aprovado sem ensino domiciliar e com foco em metas para educação

Texto prevê investimento de até 10% do PIB na área e universalização de creches nos próximos dez anos

10 dezembro 2025 - 18h00Paula Ferreira
Comissão aprova texto do novo Plano Nacional de Educação com 19 metas para os próximos dez anos.
Comissão aprova texto do novo Plano Nacional de Educação com 19 metas para os próximos dez anos. - (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) o novo texto do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece as metas e diretrizes da educação brasileira para a próxima década. A proposta foi aprovada por unanimidade na comissão, após acordo para a retirada de temas sensíveis, como a regulamentação da educação domiciliar e menções diretas à questão de gênero.

Canal WhatsApp

Com a aprovação consensual e a sinalização de que não haverá recurso para votação em plenário, o texto deve seguir diretamente para análise do Senado. A atual versão do PNE, em vigor desde 2014, perdeu validade neste ano. A aprovação do novo plano acontece, portanto, com atraso.

O relator do texto, deputado Moses Rodrigues (União-CE), optou por um documento mais pragmático e com foco na implementação de políticas públicas. “O texto aprovado aponta para o fortalecimento do Sistema Nacional de Educação e define objetivos mensuráveis”, declarou.

O novo plano estabelece 19 metas que abrangem desde a educação infantil à pós-graduação, passando por temas como acesso, permanência, qualidade do ensino e valorização de profissionais da educação. Um dos principais pontos do texto é a meta de elevar o investimento público em educação para 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em sete anos, com o objetivo final de alcançar 10% até o fim da década.

Na versão anterior do PNE, a meta era atingir 10% do PIB, com um objetivo intermediário de 7% em cinco anos — algo que não foi cumprido. O país chegou, no máximo, a cerca de 5% de investimento nos últimos anos.

Outro destaque do plano é a universalização da demanda por creches para crianças de até 3 anos. A meta anterior era de atender 50% da demanda manifesta. Agora, o texto propõe atender 100% das crianças que precisarem da vaga e estabelece a criação de um instrumento nacional para mapear essa demanda.

Também foi incluída uma meta específica voltada à segurança nas escolas, com a determinação de reduzir índices de violência escolar e casos de bullying. O poder público terá que monitorar e adotar políticas voltadas à prevenção e ao enfrentamento desses problemas.

Para garantir a aprovação unânime, pontos considerados controversos foram reformulados. A educação domiciliar, defendida por parlamentares conservadores, foi retirada do texto. Além disso, as referências explícitas à questão de gênero foram substituídas por expressões mais genéricas, como “respeito aos direitos humanos” e “superação de desigualdades e quaisquer formas de discriminação”.

O presidente da Bancada da Educação na Câmara, deputado Rafael Brito (MDB-AL), celebrou a aprovação. “É o melhor PNE de todos os tempos. Um plano que ouviu o chão da escola, com metas ousadas, objetivos claros e bem definidos, que fará com que a gente tenha, no Brasil, a educação que tanto sonha”, afirmou.

Sem a necessidade de passar pelo plenário da Câmara, a proposta agora será analisada pelo Senado. A expectativa é de que o texto avance ainda neste ano, embora o calendário apertado e o recesso parlamentar possam atrasar a tramitação.

Com a definição do novo plano, estados e municípios terão o desafio de ajustar seus próprios planos de educação para garantir o alinhamento com as metas e estratégias nacionais, em um processo que envolverá tanto a gestão orçamentária quanto a implementação de políticas públicas integradas no âmbito do Sistema Nacional de Educação (SNE).

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop