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INTERNACIONAL

Mulher é morta por agente de imigração em operação federal em Minneapolis

Caso é tratado como legítima defesa pelo governo Trump, mas versão é contestada por autoridades locais

7 janeiro 2026 - 20h00Redação
Operação federal de imigração termina com mulher morta a tiros em Minneapolis.
Operação federal de imigração termina com mulher morta a tiros em Minneapolis. - (Foto: AP Photo/Tom Baker)

Uma mulher de 37 anos foi morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Aduanas dos Estados Unidos (ICE) durante uma operação federal realizada na quarta-feira (7), em Minneapolis, no Estado de Minnesota. A vítima foi identificada como Reneé Nicole Good, cidadã americana. O episódio ocorreu em meio à intensificação das ações de repressão à imigração promovidas pelo governo do presidente Donald Trump e provocou forte reação de autoridades estaduais e municipais.

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De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), o disparo ocorreu em legítima defesa, após a mulher supostamente tentar atropelar agentes federais com o veículo que dirigia. A versão, no entanto, é contestada por líderes locais, que cobram uma investigação rigorosa e independente.

Imagens gravadas por testemunhas e divulgadas nas redes sociais mostram agentes se aproximando de um SUV parado no meio da rua e tentando abrir a porta do lado do motorista. Na sequência, o veículo arranca bruscamente. Um dos agentes, posicionado à frente do carro, dispara ao menos dois tiros.

O automóvel avança, empurra o agente — que não chega a cair — e colide com dois veículos estacionados, parando logo depois. Pessoas que acompanhavam a ação reagiram com gritos de choque ao perceber que a motorista havia sido atingida.

Segundo o DHS, a mulher utilizou o veículo de forma deliberada para tentar matar os policiais, o que justificaria a reação armada. Em nota, o órgão classificou o episódio como um “ato de terrorismo doméstico” e afirmou que o agente agiu conforme seu treinamento para proteger a própria vida, a de colegas e a segurança do público.

Autoridades locais, no entanto, questionam essa narrativa. O gabinete do promotor do Condado de Hennepin informou que a investigação ainda está em andamento e que nenhuma decisão sobre eventuais acusações criminais será tomada antes da conclusão da apuração. Segundo o porta-voz Daniel Borgertpoepping, tanto autoridades estaduais quanto federais têm jurisdição para apresentar denúncias.

O governador de Minnesota, Tim Walz, criticou duramente a versão oficial do governo federal. Em publicação na rede social X, afirmou ter assistido aos vídeos do incidente e classificou a narrativa do DHS como “propaganda”. Walz garantiu que o Estado conduzirá uma investigação “completa, justa e rápida” para assegurar responsabilização.

“Eu tenho uma mensagem bem simples: presidente Trump e secretária Kirsty Noem, vocês já causaram danos demais”, escreveu o governador.

Mesmo diante das críticas, Trump foi às redes sociais para endossar a versão do DHS. Segundo ele, a mulher agia de forma “desordeira, obstruindo e resistindo” à operação e depois teria se comportado de maneira “violenta, deliberada e cruel”. O presidente classificou Reneé Good como uma “agitadora profissional”.

A operação também gerou reação no Legislativo estadual. O senador Omar Fateh afirmou estar no local colhendo informações e disse estar “profundamente preocupado” com relatos de que um médico teria sido impedido por agentes federais de realizar manobras de reanimação cardiopulmonar na vítima após os disparos.

Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que a atuação de agentes federais de imigração está “causando caos” na cidade. Ele exigiu a retirada imediata do ICE e declarou que a administração municipal está ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados.

O caso é visto como mais um sinal de escalada da violência em operações migratórias em grandes centros urbanos. Segundo autoridades, esta é ao menos a quinta morte registrada em ações desse tipo em alguns Estados americanos desde 2024.

Histórico de violência policial na cidade

Minneapolis é o mesmo local onde, em maio de 2020, o assassinato de George Floyd por um policial desencadeou uma onda de protestos contra a violência policial e o racismo nos Estados Unidos. Floyd, um homem negro de 46 anos, morreu após o então policial Derek Chauvin pressionar o joelho sobre seu pescoço por vários minutos, mesmo após a vítima repetir que não conseguia respirar.

O crime foi registrado em vídeo por Darnella Frazier, então com 17 anos, e contradisse a versão inicial da polícia, que atribuía a morte a um “incidente médico”. Chauvin foi condenado em 2022 a 21 anos de prisão.

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