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INFÂNCIA

MS deve lançar pesquisa nacional sobre abuso sexual infantil

Em Campo Grande, a estimativa é de que a cada mês cerca de 40 crianças e ou adolescentes sofrem algum tipo de abuso, ou seja, mais de um caso por dia.

23 fevereiro 2016 - 10h47DA REDAÇÃO COM INFORMAÇÕES DA ASSESSORIA
A coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMS e o chefe do IBGE/MS Mario Alexandre de Pinna Frazeto
A coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMS e o chefe do IBGE/MS Mario Alexandre de Pinna Frazeto - Divulgação
O FLOR DA MATA - NOTICIAS

A fim de subsidiar sugestões de políticas públicas de prevenção ao abuso sexual de crianças e adolescentes, a Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do TJMS está buscando a formalização de uma parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O objetivo do convênio é desenvolver uma pesquisa com pessoas que sofreram abuso na infância e ou adolescência. Trata-se de um raio X inédito no país. 

Um primeiro encontro, realizado no último dia 15 de fevereiro, deu início às tratativas. A reunião aconteceu na sede do IBGE de Mato Grosso do Sul, onde a equipe de facilitadores da CIJ conversou com o chefe da unidade, Mario Alexandre de Pinna Frazeto, o qual sinalizou que, caso o Instituto encampe a ideia, a pesquisa se dará em todo o País. 

A iniciativa pioneira de MS partiu da juíza da Infância, Juventude e do Idoso, Katy Braun do Prado, que, enquanto integrante da CIJ, observou que um dos propósitos da Coordenadoria é justamente propor políticas públicas de prevenção. E, para isto, se faz necessário conhecer a realidade mais de perto, uma vez que nem todos os casos chegam à justiça. 

A magistrada ressalta ainda que o intuito é fazer um levantamento de todas as formas de abuso, não apenas o sexual, como também o psicológico, etc., além de traçar um perfil do abusador, de modo que seja possível identificar de onde parte a violência, se de um membro da família, do professor, de pessoas desconhecidas, entre outros. 

Em Campo Grande, a estimativa é de que a cada mês cerca de 40 crianças e ou adolescentes sofrem algum tipo de abuso, ou seja, mais de um caso por dia. Um tema que causa impacto nas vítimas pelo resto de suas vidas e carece de um levantamento em âmbito municipal, estadual e nacional que possa subsidiar ações de combate. 

NA REDE

Criada recentemente por três amigas de Porto Alegre, a página da rede social Facebook intitulada “Meu Professor Abusador” tem por objetivo incentivar a denúncia dos assédios cometidos na escola. Em apenas três dias de funcionamento, a página recebeu mais de 600 relatos que vão de casos desde o ensino fundamental. São meninas, em sua maioria, que denunciam situações abusivas que viveram em sala de aula. 

O tema delicado exige uma pesquisa que possa incentivar o público a falar, o anonimato no questionário é um item muito favorável, assim como a forma de elaboração das perguntas. Todo esse processo ainda precisa ser lapidado, até porque é algo inédito. 

O único indicador do IBGE que existe hoje sobre essa faixa etária é a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, cujo último levantamento se deu em 2012. A pesquisa engloba diversos temas, mas específico sobre o abuso e a violência não há nenhuma pesquisa ainda realizada. 

De acordo com a organização da sociedade civil Childhood Brasil, que trabalha no combate à exploração e o abuso sexual infantil, as causas da violência sexual contra crianças e adolescentes são diversas e complexas. Está relacionada a fatores econômicos, sociais e culturais. Além disso, há contextos em que o problema pode ser agravado ou dificultado seu enfrentamento. 

Segundo a Childhood Brasil, o tema é coberto por tabus que em nada favorecem a prevenção, tais  como a ideia de que é um problema que afeta somente pessoas pobres, moradores do Nordeste e ainda que os abusadores, de modo geral, são pedófilos.  

A falta de informação é outro grande desafio. Conforme a organização, “a dificuldade em se ter um cenário apurado influencia na existência de políticas públicas e projetos para este problema específico”. 

Neste contexto, a proposta de desenvolver uma pesquisa nacional sobre a questão é uma sugestão que agregará muito valor para a causa, hoje restrita a campanhas de conscientização com base em poucos dados estatísticos. 

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