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08 de janeiro de 2026 - 21h43
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INTERNACIONAL

Morte em ação do ICE gera disputa de versões entre Trump e autoridades de Minnesota

Governo federal fala em legítima defesa; governador e prefeito de Minneapolis contestam narrativa

7 janeiro 2026 - 20h30AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A morte de uma mulher baleada por um agente de imigração do governo Donald Trump, nesta quarta-feira (7), durante uma operação em Minneapolis, acirrou uma guerra de versões entre o governo federal dos Estados Unidos e autoridades estaduais e municipais de Minnesota. Enquanto a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna (DHS) sustentam que os disparos ocorreram em legítima defesa, líderes locais rejeitam a versão oficial e cobram apuração rigorosa.

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O presidente Donald Trump afirmou que a mulher agia de forma “muito desordeira, obstruindo e resistindo” à atuação dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e que, posteriormente, teria agido “violentamente, deliberadamente e cruelmente”. Trump classificou a vítima como uma “agitadora profissional” e responsabilizou adversários políticos pelo episódio.

“A razão pela qual esses incidentes estão acontecendo é porque a esquerda radical está ameaçando, agredindo e atacando nossos policiais e agentes do ICE diariamente”, declarou o presidente, acrescentando que o caso ainda está sendo analisado.

Na mesma linha, a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que a ação configuraria um ato de terrorismo doméstico, alegando que a mulher tentou atropelar agentes federais durante a operação.

As declarações provocaram reação imediata das autoridades de Minnesota. O governador Tim Walz classificou a narrativa do DHS como “máquina de propaganda” e disse ter assistido aos vídeos do incidente. “Eu vi o vídeo. Não acredite nessa máquina de propaganda”, escreveu Walz na rede social X. Segundo ele, o Estado garantirá uma investigação “completa, justa e rápida” para assegurar responsabilização.

Em entrevista coletiva, Walz afirmou estar revoltado com a morte, mas pediu que eventuais protestos sejam pacíficos para evitar que o governo federal utilize o episódio como “espetáculo político”. Ex-candidato a vice-presidente na chapa democrata de Kamala Harris, em 2024, Walz reforçou que o caso precisa ser tratado com base em fatos, e não em versões oficiais antecipadas.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também criticou duramente a atuação federal e a fala de Noem, que chamou de “lixo completo”. Frey condenou ainda o envio de mais de 2 mil policiais federais para Minneapolis e Saint Paul como parte da repressão à imigração. “O que eles estão fazendo não é proporcionar segurança. O que estão fazendo é causar caos e desconfiança”, disse.

Já o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, apresentou um relato preliminar do tiroteio que não confirma a versão de tentativa de atropelamento. Segundo ele, a mulher estava em um veículo que bloqueava a via na avenida Portland quando um agente federal se aproximou a pé. Em seguida, o carro começou a se afastar e ao menos dois disparos foram efetuados.

“Essa mulher estava em seu veículo e bloqueava a via. Em determinado momento, um agente federal se aproximou e o veículo começou a se mover. Pelo menos dois tiros foram disparados. O veículo então colidiu na lateral da via”, relatou O’Hara, acrescentando que a vítima foi atingida na cabeça.

O comissário Bob Jacobson, do Departamento de Segurança Pública de Minnesota, informou que o caso será investigado conjuntamente por autoridades estaduais e federais. Ele ressaltou que a apuração ainda está em fase inicial e pediu cautela. “Qualquer especulação neste momento é apenas isso: especulação”, afirmou.

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