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06 de fevereiro de 2026 - 14h59
maracaju
LUTO NA DUBLAGEM

Morre aos 72 anos Ricardo Schnetzer, voz marcante da dublagem brasileira

Artista enfrentava esclerose lateral amiotrófica e deixou legado reconhecido por gerações

6 fevereiro 2026 - 13h35
Ricardo Schnetzer marcou gerações com sua voz em filmes, séries, animações e novelas dubladas no Brasil.
Ricardo Schnetzer marcou gerações com sua voz em filmes, séries, animações e novelas dubladas no Brasil. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Morreu nesta quinta-feira (5), aos 72 anos, o dublador Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais emblemáticos da dublagem brasileira. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa e progressiva que compromete o sistema nervoso e as funções motoras, ele enfrentava um tratamento longo e complexo nos últimos anos.

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A morte foi confirmada nas redes sociais pelo sobrinho do artista, o também dublador Victor Vaz, que prestou uma homenagem pública destacando a relação pessoal e profissional construída ao longo dos anos. “Tio, obrigado por me acompanhar nessa jornada desde a minha adolescência. O senhor me ensinou o valor da palavra ética e a defendê-la com unhas e dentes”, escreveu.

Com uma carreira que atravessou décadas, Ricardo Schnetzer construiu uma trajetória singular na cultura audiovisual brasileira. Embora pouco conhecido do grande público em termos de imagem, sua voz se tornou familiar para milhões de pessoas, criando uma conexão direta com gerações que cresceram assistindo a filmes, séries, animações e novelas dubladas.

Schnetzer ficou especialmente conhecido por dar voz, em versões brasileiras, a personagens interpretados por atores internacionais como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere e Nicolas Cage. Além dos filmes, seu trabalho marcou profundamente o universo da televisão e da animação.

Entre os personagens mais lembrados estão Benson, da animação Apenas um Show; o herói Capitão Planeta; Albafica de Peixes, de Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas; e Carlos Daniel, personagem central da novela mexicana A Usurpadora. Papéis que ajudaram a formar o repertório afetivo de crianças, jovens e adultos, muitas vezes sem que o público soubesse quem estava por trás da voz.

No início deste ano, familiares e amigos organizaram uma vaquinha online para ajudar a custear o tratamento da ELA. A meta era arrecadar R$ 200 mil. Até a última atualização, o valor ultrapassava R$ 118 mil, mobilizando colegas de profissão, fãs e admiradores do trabalho do dublador.

A morte de Schnetzer gerou forte repercussão no meio artístico. Para a empresária e amiga Ana Motta, CEO do estúdio de dublagem e acessibilidade AllDub, a perda tem dimensão pessoal e simbólica para o setor. Ela relembra o primeiro encontro com o dublador, em 2005, nos estúdios da Herbert Richers, referência histórica da dublagem no Brasil.

“Desde o primeiro contato, ele já mostrava quem era: alegre, educado, generoso, sempre pronto para ajudar. Um profissional impecável e dono de uma voz absolutamente inconfundível”, afirmou.

Segundo Ana Motta, Ricardo Schnetzer tinha um talento especial para personagens infantis e cômicos, nos quais conseguia imprimir emoção, leveza e humanidade. “Ali, ele colocava alma, humor e afeto, e isso sempre me emocionou”, disse.

Ela também recordou o espírito bem-humorado do dublador e histórias que se tornaram quase lendárias entre colegas de estúdio. “O Ricardo tinha um astral raro. Sempre otimista, sempre divertido. Com o fechamento da Herbert Richers, seguimos caminhos diferentes, mas continuamos nos encontrando em novas fases da dublagem brasileira”, relatou.

“A dor da despedida hoje se mistura com a gratidão”, concluiu. “O silêncio fica. Mas a voz… a voz é eterna.”

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