
O presidente da Argentina, Javier Milei, lançou na segunda-feira (12) contas oficiais em inglês nas redes sociais e chamou atenção logo na primeira publicação. O conteúdo traz um vídeo em que o mandatário aparece representado como um super-herói fictício chamado “General Ancap”, personagem criado para apresentar Milei ao público internacional.
Na gravação, o personagem se dirige aos “lutadores da liberdade no mundo” e afirma que irá conduzir os interessados às redes sociais do “herói”, o presidente argentino. Segundo o vídeo, ali será possível conhecer a história, as ideias e as últimas notícias sobre Milei.
“O ano passado foi grande para Milei, que está se tornando um influenciador mundial peso-pesado com sua marca de estrela do rock e libertarianismo agressivo”, diz o personagem, identificado como Capitão Ancap, que em tom irônico afirma não ser o próprio presidente.
A publicação reúne ainda imagens de Milei ao lado de líderes de direita, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Também aparecem capas de revistas internacionais, como The Economist e Time, além de trechos de discursos em que o argentino ataca adversários políticos de esquerda e repete seu slogan mais conhecido, “viva la libertad, c...”.
A estratégia de criar uma versão ficcional do líder político não é inédita na região. O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro adotou recurso semelhante ao se autointitular “Super Bigode”. Em 2021, ele virou personagem de uma série animada exibida pela televisão estatal da Venezuela, na qual surgia com superpoderes e ajudava o povo a enfrentar supostos inimigos internos e externos.
No caso argentino, Milei já havia incorporado o personagem “General Ancap” em aparições públicas anteriores, como em uma convenção de quadrinhos. A novidade agora foi a transformação do personagem em animação. Na versão fictícia, o “General Ancap” aparece mais jovem, com porte atlético e visual diferente do presidente na vida real.
Javier Milei governa a Argentina há dois anos e conduz uma agenda centrada na redução do gasto público como estratégia para conter a inflação. Em 2025, no entanto, seu governo enfrentou dois episódios que geraram forte repercussão negativa.
No primeiro, o próprio presidente divulgou em suas redes sociais uma criptomoeda criada por argentinos. A exposição levou à valorização do ativo, mas, em seguida, os criadores venderam a maior parte das unidades que possuíam, obtendo lucro elevado e provocando a queda abrupta do valor para os demais investidores.
No segundo caso, áudios divulgados pela imprensa envolveram a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente, e o subsecretário de Gestão Institucional, Eduardo “Lule” Menem. As gravações sugerem a existência de um esquema que cobraria até 8% do faturamento de empresas farmacêuticas em troca de contratos com o governo. Segundo o ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, Karina ficaria com a maior parte do valor, entre 3% e 4%.
Milei negou qualquer participação da irmã em esquemas de propina e afirmou que apenas divulgou a criptomoeda com a intenção de ajudar seus criadores.
Apesar das turbulências, o presidente obteve um resultado expressivo nas eleições legislativas realizadas no fim do ano passado. O partido governista, La Libertad Avanza, conquistou cerca de 41% dos votos, ampliando sua bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
O desempenho eleitoral fortaleceu o governo e deu novo fôlego para a continuidade da agenda econômica liberal defendida por Milei. A próxima eleição presidencial na Argentina está prevista para 2027.

