
A Marinha francesa interceptou nesta quinta-feira (22) um petroleiro vindo da Rússia no Mar Mediterrâneo durante uma operação voltada ao combate da chamada frota clandestina russa, alvo de sanções internacionais. A ação ocorreu com base em informações repassadas pelo Reino Unido e teve como alvo o navio Grinch, suspeito de operar com bandeira falsa.
Segundo comunicado oficial, a embarcação está sendo escoltada pela Marinha da França até uma área de ancoragem, onde passará por inspeções adicionais. O petroleiro partiu de Murmansk, cidade localizada no noroeste da Rússia, e foi abordado no Mediterrâneo Ocidental, nas proximidades de Almería, no sul da Espanha.
Autoridades francesas informaram que o Grinch navegava sob uma suposta bandeira das Ilhas Comores e tinha tripulação indiana. A suspeita é de que o navio integre a frota paralela utilizada pela Rússia para contornar sanções impostas por países ocidentais em razão da guerra na Ucrânia.
A operação foi conduzida de forma conjunta com o Reino Unido, que reuniu e compartilhou informações consideradas decisivas para a abordagem. Oficiais militares franceses relataram à Associated Press, sob condição de anonimato, que o intercâmbio de dados entre os dois países permitiu identificar inconsistências no registro e na operação da embarcação.
A França e outros países europeus vêm intensificando ações contra a frota paralela russa, formada por petroleiros antigos, registrados em nome de empresas pouco transparentes e vinculadas a países que não aplicam sanções a Moscou. Especialistas estimam que esse conjunto de embarcações ultrapasse 400 navios espalhados por diferentes rotas marítimas.
Além das interceptações, governos europeus buscam acordos com países responsáveis pelo registro dessas bandeiras, com o objetivo de facilitar abordagens e inspeções em águas internacionais. A estratégia visa reduzir a capacidade da Rússia de manter exportações energéticas fora dos mecanismos de controle impostos pelas sanções.
A interceptação provocou reação imediata do Kremlin. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou a ação como um ato de pirataria e acusou o presidente francês, Emmanuel Macron, de ter ordenado a operação para desviar a atenção de problemas internos enfrentados pela França.
O caso aumenta a tensão diplomática entre Moscou e países da Otan e reforça o peso estratégico do controle marítimo no atual cenário geopolítico, especialmente no esforço de fiscalização das sanções econômicas impostas à Rússia.

