
A primeira lua cheia de 2026, será vista neste sábado (3), e vem acompanhada de um rótulo chamativo: a chamada superlua. Astrônomos, porém, lembram que o nome correto é lua cheia de perigeu – momento em que a Lua está no ponto mais próximo da Terra em sua órbita. Nessa condição, ela parece cerca de 6% maior e 13% mais brilhante do que uma lua cheia “média”, diferença que, na prática, quase ninguém percebe sem instrumentos.
No dia 1º, a Lua esteve a aproximadamente 362,3 mil quilômetros da Terra e atingiu a fase cheia às 7h03 de sábado (horário de Brasília). Em 31 de maio, quando ocorrerá a chamada microlua, a lua cheia estará muito mais distante, a cerca de 406,1 mil quilômetros. “Todo mês a Lua passa pelo perigeu (ponto mais próximo) e pelo apogeu (ponto mais distante). Quando isso coincide com a fase cheia, chamam de superlua, porque ela fica só um pouquinho maior”, explica o astrônomo Rodolfo Langhi, da Unesp.
Segundo ele, a variação é tão pequena que até quem observa o céu com frequência tem dificuldade de notar alguma mudança. “Para quem não olha sempre para a Lua, a diferença passa totalmente despercebida”, diz. A comparação, afirma, é semelhante a aproximar e afastar uma bola dos olhos: ela muda de tamanho aparente, mas continua sendo a mesma bola.
Para o físico e astrônomo João Batista Canalle, professor da Uerj e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia, o termo superlua dá uma ideia exagerada do fenômeno. “É a mesma lua cheia de sempre. Astronomicamente, essa diferença de distância é irrelevante”, afirma. Ele lembra que o mesmo vale para a microlua de maio: o satélite continuará parecendo uma lua cheia comum, só um pouco mais distante. “No fim das contas, é mais um bom motivo para olhar para o céu do que um espetáculo fora do normal”, resume.
