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18 de fevereiro de 2026 - 09h34
JUVENTUDE INDÍGENA

Juventude indígena participa de fórum e ajuda a renovar plano estadual de MS

Encontro na Aldeia Cachoeirinha reuniu 114 jovens de cinco etnias e resultou em mais de 30 propostas para a renovação do Plano Estadual da Juventude de Mato Grosso do Sul

18 fevereiro 2026 - 08h10Iury de Oliveira
Jovens de diferentes etnias participam do Fórum Regional de Juventude na Aldeia Cachoeirinha, em MS, e apresentam propostas para o novo Plano Estadual da Juventude.
Jovens de diferentes etnias participam do Fórum Regional de Juventude na Aldeia Cachoeirinha, em MS, e apresentam propostas para o novo Plano Estadual da Juventude. - (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez, jovens indígenas de diferentes etnias de Mato Grosso do Sul foram oficialmente ouvidos no Fórum Regional de Juventude, espaço de escuta que reúne propostas para a renovação do Plano Estadual da Juventude. A escuta inédita aconteceu em 7 de fevereiro, durante a IX Assembleia da Juventude Terena – “Guardiões da memória, construtores do amanhã”, na Aldeia Cachoeirinha, Terra Indígena Cachoeirinha.

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O encontro integrou o Circuito Avança Juventude e levou, pela primeira vez, o fórum para dentro de um território indígena. A atividade foi promovida pela Secretaria de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, em parceria com o Conselho Estadual da Juventude e com a própria Assembleia da Juventude Terena.

Fórum esteve pela primeira vez em território indígena, durante Assembleia Terena na aldeia Cachoeirinha.Fórum esteve pela primeira vez em território indígena, durante Assembleia Terena na aldeia Cachoeirinha

Ao todo, 114 jovens das etnias Terena, Kinikinau, Guarani (Kaiowá e Ñandeva) e Kadiwéu participaram da construção coletiva. Eles levantaram mais de 30 propostas, que agora passam a integrar o relatório oficial que vai subsidiar a renovação do Plano Estadual da Juventude.

Para o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, a presença do fórum na aldeia marca um momento histórico. “Foi um grande avanço das políticas públicas para a juventude. Desde o ano passado estamos mobilizados para ouvir as diversas juventudes de Mato Grosso do Sul. Ouvir a juventude indígena, que levantou mais de 30 propostas, com diferentes etnias representadas, foi de enorme significado. É descer do gabinete, ir para a ponta para ouvir e retornar, transformando essa fala em plano, em decreto e em política pública efetiva”, afirmou.

Mais do que cumprir uma agenda institucional, a realização do fórum dentro da Assembleia Terena representa uma mudança de lógica: o Estado se desloca até os territórios para ouvir diretamente quem vive a realidade que será impactada pelo plano.

Coordenador da Juventude Terena, Jean Carlos explica que espaço discute políticas públicas para povos de todas as etnias de MS. (Foto: Heideger Nascimento)Coordenador da Juventude Terena, Jean Carlos explica que espaço discute políticas públicas para povos de todas as etnias de MS. (Foto: Heideger Nascimento)

Protagonismo indígena em pauta - Para os próprios jovens, o espaço consolida um movimento que já vinha sendo construído nas comunidades. Coordenador da Juventude Terena em Mato Grosso do Sul e agente indígena de saúde, Jean Carlos, 26 anos, participa da assembleia desde 2023 e vê o encontro como um espaço estratégico de articulação.

“A assembleia é um movimento da juventude Terena onde a gente discute como está a educação, a saúde, as políticas públicas, a cosmologia do povo Terena. Na verdade, não é só do povo Terena, a gente também recebe parentes dos povos Guarani/Kaiowá, Kadiwéu e Kinikinau. É um espaço de discussão da juventude indígena do Estado”, afirmou.

Segundo Jean, a presença do governo dentro da aldeia fortalece a construção conjunta de soluções. “A participação do governo é fundamental durante as assembleias, pois é através dela que conseguimos parcerias para trazer melhorias para a juventude indígena, como acesso mais fácil ao ensino superior, ações voltadas à saúde mental e projetos para tirar a juventude do vício das drogas. Temos a Secretaria de Estado da Cidadania, a Subsecretaria da Juventude e a Subsecretaria de Povos Indígenas como grandes parceiras. Ir até lá ouvir o que a gente precisa é fundamental”, destacou.

Durante o fórum, uma das principais demandas apresentadas foi ampliar o acesso de jovens indígenas a espaços de decisão dentro do próprio governo. “Sabemos que existem cargos destinados à juventude indígena que muitas vezes não são ocupados por nós. Também discutimos a criação de eventos esportivos dentro das comunidades, além de propostas sobre território, saúde, educação e diversidade”, relatou Jean.

À esquerda, de blusa marrom, Nadiely dança em um dos momentos de celebração da assembleia.À esquerda, de blusa marrom, Nadiely dança em um dos momentos de celebração da assembleia.

Voz e escuta para novas gerações - A comunicadora Nadiely Vitória De Matos Benites, 18 anos, da etnia Terena, da Terra Indígena Taunay/Ipegue, também avaliou a experiência como transformadora. “A Assembleia foi muito positiva, como um todo. É um espaço muito rico de escuta, aprendizado e construção coletiva, onde a juventude realmente teve voz. A programação foi bem diversa e conseguiu dialogar tanto com a valorização da nossa cultura quanto com temas urgentes da nossa realidade atual”, afirmou.

Para ela, um dos pontos altos foi ver tradição e políticas públicas caminhando juntas. “O que eu mais gostei de acompanhar foi a forma como educação, cultura e políticas públicas se conectaram ao longo da Assembleia. A oficina de cerâmica tradicional, por exemplo, foi muito marcante, porque mostrou na prática como os saberes ancestrais seguem vivos e sendo transmitidos, principalmente pelas mulheres Terena, fortalecendo nossa identidade. Também achei muito importante as mesas sobre educação e políticas públicas, que trouxeram debates reais sobre acesso, permanência no ensino superior, saúde mental e a necessidade de políticas pensadas a partir dos territórios”, destacou.

Como foi feita a escuta - A metodologia do Fórum Regional de Juventude foi organizada em três momentos principais: plenária inicial, grupos de trabalho por eixo temático e plenária final para socialização das propostas.

Os debates foram divididos em cinco eixos:

  • Educação, Profissionalização, Trabalho e Renda

  • Cultura, Esporte e Lazer

  • Participação Social, Saúde, Diversidade e Igualdade

  • Sustentabilidade, Meio Ambiente, Território e Mobilidade

  • Saúde Mental

Em cada eixo, os jovens puderam relatar situações do dia a dia, apontar dificuldades e sugerir caminhos. O técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Heliton Cavanha, que mediou o eixo de Cultura, Esporte e Lazer, reforçou a importância da escuta direta. “Foi muito produtivo ouvir a juventude. Eles trouxeram demandas sobre cultura, esporte e lazer, que são políticas que fazem falta no dia a dia. Tivemos participação muito forte de diferentes povos. Fortalecer a voz da juventude é fortalecer o futuro dos territórios”, afirmou.

As contribuições levantadas nos grupos foram sistematizadas e passam a compor o relatório oficial do fórum, que será utilizado como referência na renovação do Plano Estadual da Juventude.

Divididos em eixos, juventude pode ser ouvida e levar sugestões.Divididos em eixos, juventude pode ser ouvida e levar sugestões

Renovação do Plano Estadual da Juventude - O Fórum Regional de Juventude integra o processo de renovação do Plano Estadual da Juventude. Em 2025, sete fóruns regionais foram realizados em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, ouvindo diversas realidades juvenis.

Em 2026, a edição voltada às juventudes indígenas amplia essa representatividade e incorpora as especificidades culturais, sociais e territoriais ao planejamento estadual. Ao levar o debate para dentro da aldeia, o Estado passa a reconhecer a juventude indígena não apenas como destinatária das políticas, mas como autora das propostas que vão orientar os próximos passos do plano.

A expectativa é que as mais de 30 propostas apresentadas pelas juventudes indígenas contribuam para ações concretas em áreas como educação, acesso ao ensino superior, saúde mental, esporte, lazer, trabalho, renda e fortalecimento da identidade cultural.

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