
A morte do aposentado Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, na véspera do Natal, levantou suspeitas de erro médico no Hospital Municipal de João Pinheiro, no interior de Minas Gerais, após a família afirmar que uma pinça cirúrgica teria sido esquecida dentro do corpo do paciente durante a primeira cirurgia realizada no início de dezembro.
Manoel Brito morreu após 13 dias de internação, período em que passou por dois procedimentos cirúrgicos, sendo que, segundo familiares, a segunda intervenção só ocorreu depois que o estado de saúde do aposentado se agravou de forma significativa, sem que houvesse explicações claras sobre o que estava acontecendo.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou que houve a retirada de “um corpo estranho” durante a segunda cirurgia, embora tenha afirmado que o paciente apresentava quadro clínico grave e diversas comorbidades, informando ainda que abriu uma sindicância para apurar o caso e que os protocolos de segurança foram reforçados.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, Manoel passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento do município, onde exames apontaram a presença de uma úlcera gástrica, levando os médicos a indicarem uma cirurgia de urgência, realizada no dia seguinte, com a equipe informando à família que o procedimento havia ocorrido dentro da normalidade.
Após a cirurgia, o paciente permaneceu dois dias internado na UTI e, em seguida, foi transferido para um quarto, período em que, segundo relatos dos familiares, passou a apresentar dores constantes e sonolência excessiva, o que gerou preocupação sobre sua real condição clínica.
No dia 11 de dezembro, diante da suspeita de um acidente vascular cerebral, Manoel foi submetido a uma tomografia e, pouco depois, levado às pressas para uma nova cirurgia, sem que a família tivesse sido informada previamente sobre os motivos do procedimento ou sobre o que os médicos haviam identificado.
Após a segunda cirurgia, os profissionais de saúde comunicaram aos familiares que haviam retirado pus e um dreno da cavidade interna do paciente, informação que só mais tarde seria associada à retirada de um corpo estranho, conforme confirmado oficialmente pelo hospital.
Mesmo após o novo procedimento, Manoel retornou à UTI, mas não resistiu às complicações e morreu dias depois, às vésperas do Natal, o que intensificou a cobrança da família por esclarecimentos detalhados sobre a condução do caso.
Logo após a morte, uma rádio local teve acesso a um exame de tomografia que indicaria a presença de um instrumento cirúrgico dentro do corpo do paciente, sustentando a suspeita levantada pela família.
A família informou que acompanha as investigações e pretende requisitar todos os prontuários, laudos e exames clínicos realizados durante a internação no hospital municipal.
