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10 de janeiro de 2026 - 23h34
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INTERNACIONAL

Groenlândia rejeita ameaça de Trump e afirma que futuro do território cabe aos groenlandeses

Líderes partidários rebatem fala do presidente dos EUA sobre uso da força e descartam anexação a Washington

10 janeiro 2026 - 09h50Redação
Groenlândia reage a declarações de Trump e reforça defesa da autodeterminação do território.
Groenlândia reage a declarações de Trump e reforça defesa da autodeterminação do território. - (Foto: Freepik)

Os principais partidos políticos da Groenlândia reagiram neste sábado (10) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a sugerir a possibilidade de usar a força para assumir o controle do território autônomo ligado à Dinamarca. Em nota conjunta, lideranças de cinco siglas do parlamento local afirmaram que rejeitam qualquer interferência externa e defenderam o direito de autodeterminação do povo groenlandês.

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“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses. O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses”, diz o comunicado, divulgado após Trump declarar, na sexta-feira (9), que Washington iria “fazer algo sobre a Groenlândia por bem ou por mal”.

O posicionamento reforça a resistência interna a pressões internacionais e ocorre em meio à crescente preocupação global com o tom adotado pelo presidente norte-americano. Os partidos ressaltaram que nenhuma outra nação pode interferir nas decisões do território e defenderam que qualquer debate sobre o futuro político da ilha deve ocorrer sem pressa, ameaças ou imposições.

Nas ruas da capital Nuuk, o sentimento é semelhante. O pescador Julius Nielsen, de 48 anos, afirmou à AFP que a população não aceita voltar a uma condição de submissão. “Americano, não. Fomos uma colônia por tantos anos. Não estamos prontos para ser colonizados novamente”, disse.

A Groenlândia foi colônia da Dinamarca até 1953 e conquistou autonomia em 1979. Desde então, o debate sobre a independência ganhou espaço, embora ainda desperte cautela entre parte da população. A funcionária do setor de telecomunicações Pitsi Mari afirmou apoiar a ideia de independência, mas defendeu que o processo não seja apressado. “Não por agora. Não hoje”, declarou.

A atual coalizão governista também se posiciona contra uma ruptura imediata com a Dinamarca. Já o Naleraq, único partido de oposição e que obteve 24,5% dos votos nas eleições legislativas de 2025, defende acelerar o processo de independência. Ainda assim, a legenda também assinou a nota conjunta contra as declarações de Trump. O deputado Juno Berthelsen afirmou que é hora de preparar o caminho para a independência, mas sem abrir espaço para ingerências externas.

A tensão aumentou após a agência Reuters revelar, na quinta-feira (8), que autoridades dos Estados Unidos discutem a possibilidade de oferecer entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por habitante da Groenlândia como forma de convencê-los a se separar da Dinamarca e aceitar a anexação ao território norte-americano. Segundo a reportagem, não há detalhes sobre valores finais ou logística, e tanto Copenhague quanto Nuuk já afirmaram que a Groenlândia não está à venda.

A Dinamarca e aliados europeus reagiram com surpresa e preocupação às declarações de Trump. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos significaria, na prática, o fim da aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Trump minimizou as críticas e disse manter boa relação com a Dinamarca, mas voltou a questionar a soberania dinamarquesa sobre o território. “O fato de eles terem um barco que aterrissou lá há 500 anos não significa que eles possuam a terra”, afirmou.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e representantes da Groenlândia para tratar do tema.

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