
Autoridades da Groenlândia reagiram com preocupação às declarações do governo dos Estados Unidos sobre a possibilidade de assumir o controle do território. Nesta terça-feira (13), a ministra de Negócios e Recursos Minerais, Naaja Nathanielsen, classificou como “inconcebível” a discussão sobre a anexação de um aliado da Otan e afirmou que a retórica americana tem causado temor entre os moradores da ilha.
Durante uma reunião com parlamentares no Parlamento britânico, a ministra relatou o impacto direto das declarações na população. “As pessoas não estão dormindo, as crianças estão com medo, e isso ocupa todos os pensamentos atualmente. Nós realmente não conseguimos entender”, disse.
Nathanielsen reconheceu que a Groenlândia compreende o interesse estratégico dos Estados Unidos na região do Ártico, especialmente diante do aumento da instabilidade geopolítica. Segundo ela, o governo local está disposto a dialogar sobre segurança e monitoramento na região, mas sem imposição de força. “Entendemos a necessidade de mudar as coisas, fazer com que sejam diferentes. Mas acreditamos que isso pode ser feito sem o uso da força”, afirmou.
A ministra também rejeitou qualquer hipótese de venda ou anexação do território. “É simplesmente incompreensível que a Groenlândia possa estar enfrentando a perspectiva de ser vendida ou anexada”, declarou.
Dinamarca reforça posição - A posição foi reiterada pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que afirmou que o território não quer ser propriedade nem ser governado pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Copenhague, ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que também destacou a disposição dinamarquesa em investir na segurança do Ártico.
Paralelamente, um funcionário do governo dinamarquês confirmou que a Dinamarca apoiou uma operação dos EUA no Atlântico Oriental na semana passada, quando forças americanas interceptaram um petroleiro acusado de violar sanções. O episódio encerrou uma perseguição iniciada no Caribe, no contexto do bloqueio imposto pelos EUA às águas da Venezuela.
Reuniões diplomáticas e impasse na Otan - Segundo fontes do governo americano, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, devem se reunir nesta quarta-feira com representantes da Dinamarca e da Groenlândia na Casa Branca. O encontro deve tratar diretamente do interesse do presidente Donald Trump em adquirir o território.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, evitou comentar a controvérsia. Em declaração no Parlamento Europeu, afirmou que não cabe à organização interferir em disputas internas entre aliados e que o foco da aliança deve ser a segurança do Ártico.
As tensões se intensificaram ao longo do mês, após Trump afirmar que os EUA precisariam “tomar a Groenlândia” para evitar uma suposta ocupação por Rússia ou China. Uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos deve viajar a Copenhague nos próximos dias para reuniões com autoridades dinamarquesas, em uma tentativa de demonstrar unidade entre os países.

