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17 de fevereiro de 2026 - 14h52
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SEGURANÇA DIGITAL

Celular vira alvo de golpes no carnaval e pode esvaziar contas em minutos

Especialista alerta para fraudes via wi-fi falso, engenharia social e Pix durante blocos

17 fevereiro 2026 - 13h15
Uso do celular em blocos de carnaval exige atenção redobrada para evitar golpes financeiros.
Uso do celular em blocos de carnaval exige atenção redobrada para evitar golpes financeiros. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Blocos lotados, turistas distraídos e alto volume de transações transformam o carnaval em um dos períodos mais críticos para a segurança digital. Mesmo quando não há furto ou roubo do aparelho, o celular se tornou a principal porta de entrada para criminosos acessarem aplicativos bancários e esvaziarem contas em poucos minutos.

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Embora parte dos golpes ainda aconteça de forma presencial, como o uso de maquininhas adulteradas, o smartphone passou a concentrar os maiores riscos. Aplicativos bancários, carteiras digitais, e-mails e redes sociais estão reunidos em um único dispositivo, facilitando a ação de golpistas.

Diretor de Tecnologia da Certta, empresa que reúne soluções antifraude em uma única plataforma, José Oliveira afirma que grandes eventos criam o ambiente ideal para fraudes.

“Há quebra de rotina, decisões rápidas e um senso de urgência que inibe a reflexão. É exatamente isso que o fraudador explora”, explica.

Segundo o especialista, três fatores contribuem para o aumento dos golpes durante o carnaval.

O primeiro é a alta concentração de pessoas, que facilita furtos e ajuda criminosos a se misturarem à multidão. O segundo é a quebra de rotina. Durante a folia, o usuário costuma realizar transações fora do padrão, o que dificulta o funcionamento de alertas automáticos de segurança dos bancos.

O terceiro fator envolve o comportamento emocional. Pressa, distração e clima de festa reduzem a atenção aos detalhes, tornando o folião mais vulnerável.

Oliveira ressalta que o smartphone concentra praticamente toda a vida financeira da vítima. Com o aparelho desbloqueado, ou após tentativas rápidas de quebra de senha, criminosos conseguem agir com velocidade.

Entre as ações mais comuns estão transferências via Pix, solicitação de empréstimos, alteração de senhas e recuperação de acessos por meio de e-mail ou SMS.

Em muitos casos, o prejuízo ocorre antes mesmo de a vítima perceber que foi alvo de golpe.

Principais formas de invasão - O uso de redes wi-fi falsas é uma das estratégias mais recorrentes. Criminosos criam conexões abertas com nomes semelhantes aos oficiais em blocos, cafés, shoppings e aeroportos para interceptar dados.

A recomendação é evitar wi-fi público e preferir o uso de dados móveis, como 4G ou 5G, especialmente para acessar aplicativos bancários.

Outra prática comum é a engenharia social. Mensagens ou ligações com senso de urgência, como alertas de “compra suspeita”, “problema no cartão” ou “promoção relâmpago”, pressionam a vítima a agir rapidamente.

A orientação é fazer uma pausa antes de qualquer ação. Confirmar informações apenas em canais oficiais reduz significativamente o risco.

O especialista também alerta para o uso crescente de inteligência artificial por criminosos. “A tecnologia reduziu o custo para fraudes sofisticadas”, afirma. Já são registrados casos de deepfakes, que imitam voz e imagem, além de identidades sintéticas com perfis falsos altamente convincentes.

Enquanto empresas utilizam sistemas de análise de risco que cruzam dados como localização, tipo de aparelho e padrão de comportamento, o carnaval dificulta esse monitoramento, já que o usuário costuma viajar e alterar seus hábitos.

Algumas medidas simples podem reduzir o risco.

Ativar biometria facial ou digital nos aplicativos bancários é uma das principais recomendações. Também é indicado habilitar funções como “modo seguro” ou “modo rua”, quando disponíveis no banco.

Desativar pagamento por aproximação em locais com aglomeração e reduzir temporariamente o limite do Pix também ajudam. Outro passo importante é saber como apagar os dados do celular remotamente, tanto em aparelhos Android quanto iPhone.

Evitar manter aplicativos financeiros com altos valores disponíveis no celular usado na rua também é uma estratégia preventiva.

Se o celular for roubado

Caso o aparelho seja furtado ou roubado, a reação precisa ser imediata.

O primeiro passo é bloquear o dispositivo pela operadora ou pelo serviço Celular Seguro. Em seguida, é necessário apagar os dados remotamente por meio do Google ou da Apple.

Também é fundamental avisar o banco para bloquear contas e cartões, registrar boletim de ocorrência e alterar senhas de e-mail e redes sociais.

Para José Oliveira, a medida mais eficaz ainda depende do comportamento do usuário.

“Antes de digitar uma senha, clicar em um link ou confirmar um pagamento, pare por alguns segundos”, orienta.

Ele reforça que, em um ambiente de festa e aglomeração, a tecnologia pode ajudar, mas não substitui a atenção individual. “Num ambiente de festa e aglomeração, a tecnologia pode ajudar, mas a primeira barreira contra o golpe ainda é o comportamento do próprio usuário.”

Em meio à música e à multidão, desacelerar pode ser a atitude que evita prejuízos financeiros que duram muito além da quarta-feira de cinzas.

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