27 de fevereiro de 2021 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
Internacional

França gasta € 3,5 bi para criar emprego para jovens

23 dezembro 2013 - 08h41
Rosemine Andhum não tinha qualificação profissional suficiente para trabalhar em uma creche privada quando se candidatou ao emprego, este ano, no oeste da França. Aos 24 anos, ela não tinha experiência nem diploma para cuidar de crianças e estava fora do mercado de trabalho havia ano e meio. Mas ela conseguiu o emprego porque tinha uma indicação poderosa: o governo francês.
 
Empresas em toda a França começaram a contratar milhares de jovens como Rosemine porque o governo vai pagar até 75% de seus salários, por até três anos, como parte de um programa de € 3,5 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para gerar 150 mil empregos em dois anos.
 
O programa é a peça central do esforço do presidente François Hollande para combater uma das consequências mais preocupantes da crise econômica europeia: a onda de desemprego entre os jovens, de Atenas a Madrid, que ameaça impedir a entrada de uma geração inteira no mercado de trabalho.
 
"Está duro", ela disse. "Há simplesmente mais oferta que demanda e [os empregadores] são seletivos."
 
Ao colocar a mão no bolso, Hollande está usando a cartilha de governos anteriores que financiaram a contratação em grande escala na tentativa de causar um impacto na curva do desemprego. Nenhuma dessas medidas, no entanto, conseguiu mudar a trajetória geral do desemprego francês no passado e deixaram o mercado de trabalho do país carregado de contratos patrocinados pelo governo.
 
As empresas aproveitaram os incentivos para contratar trabalhadores qualificados, muitos dos quais provavelmente teriam conseguido emprego sem subsídios governamentais. Os empregadores também se acostumaram a contratar jovens com desconto.
 
A taxa de desemprego juvenil (de pessoas até 25 anos) na França é hoje de 25%, bem abaixo dos 41% da Itália e dos 57% da Espanha, duas das economias mais abatidas da zona do euro, mas bem acima dos 7,8% na Alemanha, que fez um esforço para reformar seu mercado de trabalho dez anos atrás.
 
Mesmo em períodos economicamente estáveis, a taxa de desemprego da França tem se mantido na casa dos dois dígitos. Agora, à medida que Hollande tenta reduzir o desemprego em meio a uma crise econômica, corre o risco de aprofundar as distorções do mercado de trabalho, ao invés de corrigi-las.
 
"Esse é um modo retrógrado de lidar com o problema", diz Nicolas Véron, economista do centro de estudos Bruegel, de Bruxelas. "A iniciativa está dando a entender que o governo, e não o setor privado, é a principal fonte de empregos."
 
Na França, as gerações mais velhas se apegam aos empregos sustentados por contratos de duração indeterminada, que proporcionam uma série de benefícios caros e proteções de emprego. A maioria dos trabalhadores mais jovens é empregada com contratos temporários, com proteções mínimas, e acaba pulando de um emprego a outro, já que as empresas tratam de evitar o ônus financeiro da contratação permanente.
 
Os jovens nesse limbo também têm dificuldade em desenvolver as qualificações profissionais que atraem os empregadores.
 
Autoridades da União Europeia, em Bruxelas, e do Banco Central Europeu têm pressionado os países da UE a afrouxar as leis trabalhistas que protegem as gerações mais velhas. Segundo Bruxelas, facilitar e baratear a contratação e a demissão de pessoas encorajaria empresas a empregar mais trabalhadores quando os negócios melhorarem. A França, que não está sob tanta tensão financeira quanto seus vizinhos do sul, como a Espanha, tem resistido à pressão de reformar seu mercado de trabalho.
 
Hollande simplificou o emaranhado de regras que as empresas têm de cumprir para cortar empregos em tempos difíceis. Mas se recusou a revisar a estrutura da Previdência, que encarece a contratação de sangue novo por empresas.
 
O elevado nível de desemprego entre os jovens franceses também está relacionado com a dificuldade de enfrentar os desequilíbrios sociais e econômicos dos "banlieues" - a periferia pobre que cerca muitas cidades francesas.
 
Esses subúrbios, onde moram muitas das minorias do país, têm o dobro do nível de desemprego que a média nacional. O crime desenfreado e subculturas insulares tornaram muitos deles aparentemente imunes à intervenção estatal.
 
O programa de Hollande chega em momento delicado. A produção econômica caiu 0,1% no terceiro trimestre, ampliando a dificuldade do governo de achar os € 18 bilhões necessários para cumprir com a meta de déficit para 2014.
 
Apesar disso, o governo planeja gastar 5,3 bilhões até o fim de 2014 para subsidiar mais de um milhão de empregos para diferentes faixas etárias, principalmente em organizações sem fins lucrativos. Paris anunciou que 85 mil empregos para jovens já foram criados desde o fim do primeiro semestre.
 
O governo de Hollande diz que vai evitar as armadilhas do passado e concentrar-se nos jovens que normalmente não teriam acesso ao mercado de trabalho.
Banner Whatsapp Desktop

Deixe seu Comentário

Veja Também

Mais Lidas

TJ MS
Banner TCE