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INTERNACIONAL

Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina após prisão de Maduro

Militares respaldam decisão da Suprema Corte, rejeitam captura do ex-presidente e pedem retomada da normalidade no país

4 janeiro 2026 - 20h00Redação O Estado de S. Paulo
Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela com apoio das Forças Armadas após prisão de Nicolás Maduro.
Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela com apoio das Forças Armadas após prisão de Nicolás Maduro. - (Foto: Federico Parra/AFP)

As Forças Armadas da Venezuela reconheceram oficialmente neste domingo (4) a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina do país, após a prisão de Nicolás Maduro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A informação foi divulgada em nota assinada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, na qual os militares afirmam que Rodríguez deve assumir “todos os poderes, deveres e faculdades de presidente”.

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A nomeação foi determinada pela Suprema Corte de Justiça da Venezuela ainda na noite de sábado (3), poucas horas depois do ataque americano que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo o tribunal, a decisão foi tomada “em vista da agressão militar estrangeira” sofrida pelo país.

No comunicado divulgado neste domingo, as Forças Armadas também manifestaram apoio ao Decreto de Comoção Externa editado após a operação militar e classificaram como “covarde sequestro” a prisão de Maduro. O ex-presidente foi transferido para uma prisão federal em Nova York, onde responde a acusações de narcotráfico e terrorismo.

“O governo bolivariano garantirá a governabilidade do país, e nossa instituição continuará empregando todas as suas capacidades disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”, afirma o texto assinado por Padrino López.

Mais cedo, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o ministro da Defesa pediu que a população retome a rotina nos próximos dias, apesar do cenário de instabilidade política e militar.

“Chamo o povo da Venezuela a retomar suas atividades econômicas, trabalhistas, de todo tipo, educativas, e a pátria deve encaminhar-se sobre seu trilho constitucional”, declarou.

O pedido ocorre em meio a um clima de incerteza no país, especialmente na capital Caracas, que registrou redução na circulação de pessoas e fechamento de estabelecimentos após o ataque de sábado.

Antes de assumir formalmente o cargo de presidente interina, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento no sábado em que exigiu a “liberação imediata” de Nicolás Maduro. Segundo ela, a ofensiva dos Estados Unidos teve como objetivo alterar o comando político da Venezuela e se apropriar de recursos estratégicos.

“O objetivo foi trocar o poder na Venezuela e capturar nossos recursos energéticos, minerais e naturais”, afirmou. Na mesma declaração, Rodríguez disse que “só existe um presidente da Venezuela, Nicolás Maduro”, e pediu calma e união da população.

Ela também afirmou confiar na capacidade do povo venezuelano de reagir ao momento de crise. “O povo venezuelano, que é sábio e paciente, encontrará o caminho para a defesa da paz, da tranquilidade e da pátria”, disse.

Em sentido oposto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista coletiva que o secretário de Estado, Marco Rubio, teria conversado com Delcy Rodríguez. Segundo Trump, a presidente interina estaria disposta a atender às exigências de Washington.

“Ela disse que fará o que for preciso”, declarou o presidente americano. Trump acrescentou que Rodríguez “foi bastante gentil”, mas avaliou que ela “não tem escolha”.

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