
As Forças Armadas da Venezuela reconheceram oficialmente neste domingo (4) a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina do país, após a prisão de Nicolás Maduro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A informação foi divulgada em nota assinada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, na qual os militares afirmam que Rodríguez deve assumir “todos os poderes, deveres e faculdades de presidente”.
A nomeação foi determinada pela Suprema Corte de Justiça da Venezuela ainda na noite de sábado (3), poucas horas depois do ataque americano que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo o tribunal, a decisão foi tomada “em vista da agressão militar estrangeira” sofrida pelo país.
No comunicado divulgado neste domingo, as Forças Armadas também manifestaram apoio ao Decreto de Comoção Externa editado após a operação militar e classificaram como “covarde sequestro” a prisão de Maduro. O ex-presidente foi transferido para uma prisão federal em Nova York, onde responde a acusações de narcotráfico e terrorismo.
“O governo bolivariano garantirá a governabilidade do país, e nossa instituição continuará empregando todas as suas capacidades disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”, afirma o texto assinado por Padrino López.
Mais cedo, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o ministro da Defesa pediu que a população retome a rotina nos próximos dias, apesar do cenário de instabilidade política e militar.
“Chamo o povo da Venezuela a retomar suas atividades econômicas, trabalhistas, de todo tipo, educativas, e a pátria deve encaminhar-se sobre seu trilho constitucional”, declarou.
O pedido ocorre em meio a um clima de incerteza no país, especialmente na capital Caracas, que registrou redução na circulação de pessoas e fechamento de estabelecimentos após o ataque de sábado.
Antes de assumir formalmente o cargo de presidente interina, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento no sábado em que exigiu a “liberação imediata” de Nicolás Maduro. Segundo ela, a ofensiva dos Estados Unidos teve como objetivo alterar o comando político da Venezuela e se apropriar de recursos estratégicos.
“O objetivo foi trocar o poder na Venezuela e capturar nossos recursos energéticos, minerais e naturais”, afirmou. Na mesma declaração, Rodríguez disse que “só existe um presidente da Venezuela, Nicolás Maduro”, e pediu calma e união da população.
Ela também afirmou confiar na capacidade do povo venezuelano de reagir ao momento de crise. “O povo venezuelano, que é sábio e paciente, encontrará o caminho para a defesa da paz, da tranquilidade e da pátria”, disse.
Em sentido oposto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista coletiva que o secretário de Estado, Marco Rubio, teria conversado com Delcy Rodríguez. Segundo Trump, a presidente interina estaria disposta a atender às exigências de Washington.
“Ela disse que fará o que for preciso”, declarou o presidente americano. Trump acrescentou que Rodríguez “foi bastante gentil”, mas avaliou que ela “não tem escolha”.

