
As Forças Armadas da Venezuela pediram neste domingo (4) que a população retome as atividades cotidianas após a deposição e captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. O apelo foi feito pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
“Chamo o povo da Venezuela a retomar suas atividades econômicas, trabalhistas, de todo tipo, educativas, nos próximos dias, e a pátria deve encaminhar-se sobre seu trilho constitucional”, afirmou o ministro. No discurso, ele também pediu que os cidadãos mantenham a calma e a ordem pública, alertando para o que classificou como tentativas de disseminar medo.
Padrino López afirmou que é necessário evitar “as tentações da guerra psicológica da ameaça do medo que querem nos impor”, em um momento em que o país atravessa uma mudança abrupta de comando político.
Capital amanhece em silêncio - Apesar do pedido oficial, a capital venezuelana apresentou um cenário atípico ao longo do domingo. Caracas estava visivelmente mais vazia do que o habitual, com circulação reduzida de veículos e grande parte do comércio fechada. Lojas de conveniência, postos de combustíveis e outros estabelecimentos não abriram as portas.
As ruas, que costumam receber corredores e ciclistas nas primeiras horas do dia, permaneceram quase desertas. O entorno do palácio presidencial foi cercado por civis armados e por integrantes das Forças Armadas, reforçando o clima de vigilância.
Em regiões fora de Caracas, os impactos da operação militar ainda eram visíveis. No Estado de La Guaira, famílias começaram o dia removendo destroços de casas atingidas por explosões durante a ação que resultou na captura de Maduro e de sua esposa. Algumas construções ficaram parcialmente destruídas, com paredes abertas e estruturas comprometidas.
Moradores relataram dificuldades para retomar a rotina diante dos danos materiais e da ausência de informações claras sobre os próximos passos do governo.
Incerteza domina o país - Após a mudança de poder e as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington ajudaria a “governar” a Venezuela com o apoio da vice-presidente Delcy Rodríguez, o clima predominante no país é de incerteza. Não havia, até o fim do domingo, orientações detalhadas sobre como funcionará a administração interina ou quais medidas imediatas serão adotadas.
Em um bairro de baixa renda no leste de Caracas, o operário Daniel Medalla, de 66 anos, sentou-se nos degraus de uma igreja católica para avisar moradores de que não haveria missa matinal. Segundo ele, o esvaziamento das ruas não está ligado a uma nova paralisação, mas ao receio de represálias.
Medalla avaliou que muitos evitam comemorar publicamente a saída de Maduro por medo de repressão, lembrando a resposta dura do governo durante as eleições do ano passado. “Estávamos ansiosos por isso”, disse ele, ao comentar a queda do antigo presidente.
Enquanto autoridades pedem normalidade, a população segue cautelosa, à espera de sinais mais claros sobre o futuro político e institucional da Venezuela.

