Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
31 de dezembro de 2025 - 22h35
Sistema FIEMS - Boas Festas
SAÚDE ANIMAL

Fogos de réveillon podem causar pânico, acidentes e até morte de pets

Veterinários alertam para riscos dos ruídos intensos e orientam tutores sobre como proteger cães e gatos durante as festas

31 dezembro 2025 - 20h45Agência Brasil
Fogos de artifício podem causar pânico, acidentes e graves problemas de saúde em cães e gatos durante o réveillon.
Fogos de artifício podem causar pânico, acidentes e graves problemas de saúde em cães e gatos durante o réveillon. - (Foto: Prefeitura do Rio/Nelson Duarte)

Enquanto a queima de fogos marca as celebrações de fim de ano para milhões de pessoas, para cães e gatos o período pode representar medo extremo, sofrimento físico e risco real de morte. O alerta é do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, que chama atenção para a diferença entre a audição humana e a dos animais.

Canal WhatsApp

O ouvido humano capta sons de até 20 mil hertz (Hz). Já os cães conseguem ouvir frequências de até 40 mil Hz, e os gatos chegam a perceber sons de até 65 mil Hz. Isso faz com que o barulho dos fogos seja interpretado pelos animais como uma ameaça intensa e imediata.

“O som alto e repentino é entendido pelo cão ou pelo gato como um estímulo potencialmente perigoso. Isso gera estresse extremo e pode desencadear uma fobia sonora, que envolve fatores sensoriais, emocionais e comportamentais”, explica Diogo Alves.

Segundo o presidente do CRMV-RJ, os animais potencializam os sons que escutam. “Eles ouvem o dobro do que um ser humano. Nos gatos, isso é ainda mais intenso”, afirma. Como consequência, o barulho pode provocar pânico, tremores, salivação excessiva, automutilação e tentativas desesperadas de fuga.

Essas reações aumentam o risco de acidentes graves, como quedas de janelas e muros, atropelamentos e ferimentos. Em casos mais severos, os efeitos não se limitam ao comportamento.

“Além do medo, podem ocorrer taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas. Em situações extremas, a descarga de adrenalina é tão alta que pode levar à parada cardíaca e ao óbito”, alerta Alves.

O médico veterinário recomenda que os tutores se preparem com antecedência, não apenas para o Natal e o Ano Novo, mas também para outras épocas com fogos, como o carnaval. A orientação é manter uma rotina harmoniosa dentro de casa e criar ambientes mais seguros.

Entre as medidas indicadas estão deixar o animal em um cômodo fechado, com cortinas cerradas, portas e janelas bem vedadas e isolamento acústico improvisado, que ajuda a reduzir o impacto do som. Sons contínuos, como televisão ou música em volume moderado, podem funcionar como uma barreira sonora.

“Brinquedos também ajudam muito. Eles funcionam como uma ferramenta emocional, porque canalizam a energia do animal e desviam o foco dos estímulos externos”, diz Alves.

O presidente do CRMV-RJ alerta que prender o animal em coleiras durante os fogos é extremamente perigoso. “O medo faz com que ele tente pular ou correr, o que pode provocar enforcamento. Muitos animais morrem assim”, afirma.

Para gatos, uma opção são os feromônios em spray, substâncias que imitam sinais naturais de bem-estar e ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade. Outra orientação importante é controlar rigorosamente as entradas da casa.

“Convidados entram e saem, deixam portas abertas, e o animal pode fugir. O controle precisa ser muito grande”, ressalta.

O contato físico também é recomendado. Envolver o animal em mantas e mantê-lo próximo ao tutor pode aliviar o estresse. “O contato da pele do animal com a do ser humano transmite segurança e ajuda na liberação de hormônios que reduzem a ansiedade”, explica Alves.

O uso de ansiolíticos ou sedativos sem prescrição é contraindicado. “Cada caso é um caso. Sedação só com orientação veterinária. O uso inadequado pode causar efeitos colaterais graves”, adverte o presidente do CRMV-RJ.

Outro cuidado importante é evitar alimentar os animais próximo ao horário dos fogos, pois a agitação pode provocar engasgos. A hidratação também deve ser reforçada, principalmente em dias de calor intenso.

Uma alternativa sugerida é oferecer cubos de gelo ou frutas congeladas, como melancia e melão. “Eles brincam, se distraem, se hidratam e aliviam o calor. São frutas com alto teor de água e seguras para os pets”, orienta.

O calor excessivo também exige cuidados. O uso prolongado de ar-condicionado pode ressecar as vias aéreas dos animais. Para amenizar, o veterinário sugere colocar um balde com água no ambiente para aumentar a umidade.

Passeios devem ser evitados nos horários mais quentes. “Se o chão está quente para a gente, está dez vezes mais quente para o animal”, alerta. O ideal é sair apenas até as 8h da manhã ou no fim da tarde.

Para gatos, que tendem a beber pouca água, a recomendação é espalhar vários potes pela casa e usar fontes, já que a água em movimento estimula o consumo.

Além do barulho, a alimentação é outro ponto de atenção nas festas. O professor de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UNG), Diego de Mattos, alerta para alimentos comuns nas ceias que são tóxicos para os animais.

Chocolate, uva passa, cebola, alho, nozes e bebidas alcoólicas devem ser mantidos fora do alcance. “O chocolate, por exemplo, contém teobromina e cafeína, que os animais não conseguem metabolizar”, explica.

Carnes gordurosas, defumadas ou muito temperadas aumentam o risco de pancreatite. Ossos cozidos também devem ser evitados, pois podem perfurar ou obstruir o trato digestivo.

“Se o tutor quiser incluir o pet na celebração, o ideal é oferecer carnes magras cozidas sem tempero, legumes adequados ou petiscos próprios para animais”, orienta.

Sintomas como tremores persistentes, vômitos, dificuldade para respirar, convulsões, tentativas desesperadas de fuga ou recusa total de alimento indicam a necessidade de atendimento veterinário imediato.

“O acompanhamento profissional é essencial para evitar que o medo e a ansiedade se tornem crônicos”, destaca Diego de Mattos.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop