
No meio do Pantanal brasileiro e do Chaco paraguaio, dois lados avançam um em direção ao outro. Entre eles, agora, restam apenas 100 metros.
A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que vai ligar Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou oficialmente na fase final. A estrutura já alcançou 90% de execução. A expectativa é que até o fim de abril ocorra a concretização do trecho que vai unir definitivamente as duas margens.
A obra começou em 14 de janeiro de 2022. Desde então, cresceu sobre o Rio Paraguai com ritmo contínuo. O vão central tem 354 metros. De um lado, operários avançam pelo território paraguaio. Do outro, equipes trabalham pelo lado brasileiro. Quando os últimos 100 metros forem concluídos, a ligação física entre os dois países estará completa.
As imagens que mostram o estágio atual da construção foram enviadas pelo leitor Toninho Ruiz, que esteve no local nesta quinta-feira (12) e acompanhou de perto o avanço das estruturas.
A fase atual concentra serviços de pavimentação, sinalização e acabamento do trecho estaiado.
Considerada uma das obras mais estratégicas da América do Sul, a ponte é peça fundamental da Rota Bioceânica. O corredor vai ligar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A proposta é reduzir distâncias até o mercado asiático, diminuir custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
A previsão é que toda a rota esteja plenamente operacional em 2027.
Estrutura que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta atinge 90% de execuçãoEstrutura robusta e investimento internacional - O investimento na ponte é de 100 milhões de dólares, com recursos da Itaipu Binacional, pelo lado brasileiro.
Segundo o engenheiro de produção Maicon Aquino, a obra está na fase de concretagem dos tabuleiros, etapa essencial para garantir resistência ao tráfego pesado.
Ele explica que está sendo utilizada tecnologia de ponta para assegurar durabilidade e segurança a longo prazo.
Além da estrutura principal, os acessos também avançam. Há serviços de terraplenagem e drenagem nas duas margens. No lado brasileiro, estão em andamento obras complementares, como passarelas e viadutos. A ponte sobre o rio Amonguijá já teve os tabuleiros concretados, restando apenas as proteções laterais.
Ao todo, a construção já utilizou mais de 60 mil metros cúbicos de concreto. Um volume que, segundo os responsáveis pela obra, equivale a cerca de 20 estádios de futebol ou três Torres Eiffel.
A execução é liderada pelo engenheiro civil paraguaio Renê Gomez, à frente do Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil S/A Construtora, Paulitec Construções Ltda e Construtora Cidade Ltda.
Ponte estratégica do corredor bioceânico se aproxima do fechamentoExpectativa cresce nas duas margens - Em Porto Murtinho e Carmelo Peralta, a expectativa é visível. Comerciantes e moradores acompanham a obra como quem acompanha um relógio em contagem regressiva.
O prefeito de Carmelo Peralta, Silverio Adorno, afirma que a ponte é um sonho antigo da região e que a conclusão deve trazer impactos positivos na rotina da cidade.
A obra promete facilitar o escoamento da produção, impulsionar o turismo e transformar a dinâmica econômica local.
Agora, faltam apenas 100 metros -E quando esse trecho for concluído, Brasil e Paraguai deixarão de se olhar de margens opostas para se encontrarem no meio da ponte.
