16 de janeiro de 2021 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
aliado

Eurodeputado aliado de Orbán renuncia após ser pego em festa ilegal em Bruxelas

Conservador Jozsef Szajer confirmou ter participado de evento em apartamento; mídia local fala em festa privada gay

1 dezembro 2020 - 19h37
Jozsef Szajer, do partido Fidesz, estava em festa que violava restrições ao coronavírus
Jozsef Szajer, do partido Fidesz, estava em festa que violava restrições ao coronavírus - (Foto: Bernadett Szabo/REUTERS)

Jozsef Szajer, um importante político do partido conservador Fidesz-União Cívica Húngara - cujo líder é o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán -, deixará o Parlamento Europeu após ter sido pego pela polícia em uma festa que violava medidas de restrição ao coronavírus.

O evento aconteceu na última sexta-feira, 27, em um apartamento em Bruxelas, segundo agências internacionais. A polícia multou 25 homens. De acordo com a mídia local, o evento era, na verdade, uma festa privada gay em um bar no centro da cidade. Os jornais La Derniére Heure e Het Laatste Nieuws afirmaram que agentes encontraram drogas e álcool no local.

Szajer, figura conhecida no partido do premiê Orbán, confirmou na terça-feira, 1°, que esteve na festa. Ele não comentou sobre as informações da mídia local de que se tratava de uma orgia.

"A imprensa veiculou uma notícia sobre uma festa privada em Bruxelas na sexta-feira, eu estive presente", disse Szajer em um comunicado compartilhado pelo Partido Popular Europeu, coalizão de partidos conservadores que inclui o Fidesz. Ele também postou a carta em seu site pessoal.

Szajer prosseguiu dizendo que declarou ser membro do Parlamento Europeu à polícia porque não tinha documento de identidade no momento da batida. Ele também afirmou não ter usado drogas.

O oficial lamentou a violação das regras de combate ao coronavírus. "Peço desculpas à minha família, aos meus colegas, aos meus eleitores", disse.

O gabinete do promotor público de Bruxelas disse em um comunicado que a polícia interveio na sexta-feira depois que vizinhos reclamaram do barulho e encontraram 20 pessoas em um apartamento. Dois deles invocaram imunidade diplomática, disse.

"Uma pessoa que passava pelo local relatou à polícia que viu um homem fugindo", afirma o depoimento do promotor. A testemunha afirmou que "as mãos do homem estavam ensanguentadas. É possível que ele tenha se ferido durante a fuga. Narcóticos foram encontrados em sua mochila."

"O homem não conseguiu apresentar nenhum documento de identidade", disse o promotor. "Ele foi escoltado até seu local de residência, onde se identificou como S. J. (1961) por meio de um passaporte diplomático". As informações correspondem às iniciais e ao ano de nascimento de Szajer.

Conservadorismo

O partido de Szajer e Orbán tem se apresentado cada vez mais como um defensor dos valores cristãos conservadores e tem usado retórica anti-LGBT na Hungria. O governo apresentou recentemente uma legislação que restringe casamento às uniões entre um homem e uma mulher.

Szajer é membro fundador do partido do governo e aliado de longa data de Orbán. Ele serviu como membro do Parlamento Europeu desde que a Hungria entrou no bloco europeu em 2004.

No domingo, dois dias depois da festa, Szajer anunciou que renunciaria ao Parlamento Europeu a partir de 31 de dezembro. Ele citou o estresse da batalha política diária, embora tenha dito que sua renúncia não estava relacionada ao impasse orçamentário que aflige o bloco europeu.

Hungria e Polônia bloquearam na metade de novembro o orçamento 2021-2027 da UE e o plano de recuperação, no valor de € 1,85 trilhão, porque o acesso aos recursos estaria condicionado ao respeito ao estado de direito.

O impasse orçamentário está centrado em uma cláusula que vincula liberação de dinheiro à manutenção de bons padrões de democracia. Proposta pela Alemanha, a medida tenta colocar um freio na erosão democrática em curso nos dois países do bloco soviético.

Em seus dez anos à frente da Hungria, amparado por uma forte maioria parlamentar, Orbán centralizou o poder, politizou o Judiciário, perseguiu instituições e a imprensa e mudou currículos escolares visando impor seus valores "nacionalistas e cristãos".

Na Polônia, o Partido Lei e Justiça (PiS), do primeiro-ministro Mateusz Jakub Morawiecki, está alguns passos atrás, mas implementou reformas que aumentaram a influência política na Justiça e o poder de Varsóvia sobre os órgãos eleitorais. Políticas discriminatórias contra a comunidade LGBT também levantam críticas internacionais.

Os colegas parlamentares húngaros conservadores de Szajer o elogiaram em um comunicado.

"Em nosso nome e de toda a nossa comunidade política", disseram, "nós, membros do grupo Fidesz-KDNP do Parlamento Europeu, agradecemos a Jozsef Szajer, que desempenhou um papel crucial ao permitir que o conservadorismo cívico húngaro e a democracia cristã ocupassem seus direitos lugar na arena política europeia". (Com agências internacionais)

Banner Whatsapp Desktop