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12 de fevereiro de 2026 - 19h02
CASO EPSTEIN

Documento dos EUA aponta que Jeffrey Epstein tinha CPF registrado no Brasil

Arquivo divulgado pelo Departamento de Justiça mostra emissão do documento em 2003

12 fevereiro 2026 - 17h20Geovanna Hora
Documento divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA indica que Jeffrey Epstein possuía CPF registrado no Brasil
Documento divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA indica que Jeffrey Epstein possuía CPF registrado no Brasil - Foto: Arquivo de delinquentes de Nova York

Um dos arquivos das investigações sobre Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revela que o financista possuía registro no Cadastro de Pessoas Físicas do Brasil. O documento aparece entre materiais disponibilizados na chamada Biblioteca Epstein, que reúne e-mails, imagens e registros relacionados aos crimes sexuais pelos quais ele foi acusado.

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Na pasta intitulada “Armário de arquivos 2”, dentro da lista “Arquivos Diversos I”, consta uma relação de documentos que pertenciam a Epstein, entre eles um CPF brasileiro. O cadastro foi emitido em 23 de abril de 2003 e, segundo consulta no sistema da Receita Federal, aparece como regular. O registro contém o nome completo do financista e sua data de nascimento.

Receita Federal explica regras de acesso - Procurada, a Receita Federal informou que dados sobre inscrições no CPF são fornecidos apenas ao titular, representante legal ou procurador. O órgão citou que as normas estão previstas na Instrução Normativa RFB nº 2.172, de 9 de janeiro de 2024.

No caso de pessoa física estrangeira ou procurador legal, é necessário apresentar documento original com foto que comprove nacionalidade e data de nascimento. A Receita também esclareceu que qualquer solicitação envolvendo CPF de estrangeiro falecido depende de vínculo específico.

Podem requerer informações o inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor, caso haja bens a inventariar no Brasil. Se não houver bens, o pedido pode ser feito por cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte.

Discussão sobre cidadania brasileira - Outro documento divulgado mostra troca de e-mails entre Epstein e a empresária alemã Nicole Junkermann, citada em diversas mensagens. Em uma conversa, a empresária sugere a possibilidade de o financista buscar cidadania brasileira.

“O que você acha de tirar a cidadania brasileira?”, perguntou Nicole. Epstein respondeu: “Ideia interessante, porém vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”.

Os registros também indicam que Epstein esteve no Brasil nos anos 2000. Em depoimento ao FBI, a contadora Maritza Vásquez afirmou que ele e o francês Jean-Luc Brunel contavam com apoio de uma cafetina brasileira para obter prostitutas, algumas delas menores de idade.

“Jeffrey Epstein estava indo ao Brasil porque ele tinha clientes que eram de lá. Quando ele e Jean-Luc estavam lá, uma mulher fornecia prostitutas a eles e algumas delas eram menores de idade”, declarou a testemunha.

Agência ligada a recrutamento - Jean-Luc Brunel fundou a agência MC2 com apoio de Epstein. Segundo investigações do FBI, a empresa teria funcionado como fachada para recrutar meninas estrangeiras.

De acordo com o depoimento, em 2006 ao menos quatro brasileiras foram levadas a Nova York por Brunel. Duas tinham entre 15 e 17 anos. Epstein teria custeado os vistos de entrada nos Estados Unidos, emitidos pela MC2.

As jovens teriam ficado em apartamentos pertencentes ao financista, sublocados por Brunel por US$ 1 mil, conforme relato da contadora às autoridades americanas.

A divulgação dos documentos amplia as informações públicas sobre as conexões internacionais de Epstein e acrescenta o registro de CPF brasileiro entre os itens relacionados ao investigado.

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