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ONU

Embaixador da Venezuela acusa EUA de violar soberania do país após queda de Maduro

Samuel Moncada afirma no Conselho de Segurança que ação americana fere a Carta da ONU e cria precedente perigoso

5 janeiro 2026 - 14h15Aline Bronzati, correspondente
Embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada acusa os Estados Unidos de violar a soberania do país após ação militar.
Embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada acusa os Estados Unidos de violar a soberania do país após ação militar. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O embaixador permanente da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, acusou os Estados Unidos de promover uma “flagrante violação” da integridade territorial e da independência política do país após os ataques realizados no último sábado, 3 de janeiro de 2026, que culminaram na queda do então governante Nicolás Maduro.

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A acusação foi feita durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU (CSNU), realizada nesta segunda-feira (5), convocada para discutir os desdobramentos da ação militar norte-americana em território venezuelano. Em seu discurso, Moncada classificou o episódio como um marco negativo para a ordem internacional.

“O dia 3 de janeiro de 2026 é uma data de profunda importância histórica, não só para a Venezuela, mas para o sistema internacional. Nesse dia, na América, a Venezuela foi alvo de um ataque armado ilegítimo, sem qualquer justificativa legal, por parte do governo dos Estados Unidos”, afirmou o diplomata.

Segundo Moncada, os acontecimentos configuram uma violação direta da Carta das Nações Unidas, especialmente dos princípios que regem as relações entre os Estados. Ele destacou, em particular, o desrespeito ao princípio da igualdade soberana e à proibição do uso ou da ameaça do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer país.

Para o embaixador, a operação liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa uma afronta clara ao direito internacional. Moncada afirmou que a justificativa apresentada por Washington não encontra respaldo legal e compromete normas fundamentais do sistema multilateral.

“O desrespeito a essa norma não afeta apenas a Venezuela, mas também estabelece um precedente extremamente perigoso para todos os Estados representados nesta assembleia, independentemente de seu tamanho, poder ou alianças”, declarou.

Durante a reunião, o representante venezuelano reforçou que a intervenção não pode ser tratada como um caso isolado e alertou para os riscos de normalização de ações militares unilaterais. Segundo ele, a aceitação desse tipo de conduta enfraquece os mecanismos de segurança coletiva previstos pela ONU e amplia a instabilidade internacional.

A sessão do Conselho de Segurança ocorreu em meio à intensificação do debate diplomático sobre a legitimidade da ação norte-americana e seus impactos políticos e jurídicos na região. Até o momento, os Estados Unidos não se manifestaram oficialmente no âmbito do CSNU sobre as acusações apresentadas pela representação venezuelana.

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