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Relações Internacionais

Em Davos, Dilma diz que emergentes têm 'papel estratégico'

24 janeiro 2014 - 12h50
Cassems
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (24), durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que é  "apressada" a tese de que as economias dos países emergentes vão perder dinamismo com o fim da crise financeira mundial. Segundo a presidente, apesar de as economias desenvolvidas darem claros sinais de recuperação, as emergentes vão continuar desempenhando um "papel estratégico". O discurso de Dilma durou aproximadamente 30 minutos.
 
"Ainda que as economias desenvolvidas mostrem claros sinais de recuperação, as emergentes continuarão a desempenhar papel estratégico. Estamos falando de países com grandes capacidade de investimento e de ampliação do consumo, com demanda por infraestrutura social, urbana, energia, petróleo, investimentos industriais e agrícolas [...] É apressada a tese de que após a crise as economias emergentes serão menos dinâmicas. Lá estão grandes oportunidades", afirmou a presidente.
 
Ainda segundo Dilma, os países emergentes são "sociedades em processo de forte mobilidade social, nas quais se constituem mercados internos dinâmicos, integrados por milhões, às vezes bilhões de consumidores".
 
Para a presidente, a saída definitiva da crise financeira mundial não pode prever apenas as ações a curto prazo. "É imprescindível resgatar o horizonte de médio e longo prazos para dar suporte aos diagnósticos e ações necessários para o crescimento das diferentes economias", afirmou. "Como as economias desenvolvidas foram as mais afetadas pela crise, ao dela saírem, criarão um ambiente econômico global mais favorável para todo o mundo", concluiu Dilma.
 
A presidente argumentou ainda que, à medida que a crise for "se dissipando", um olhar "mais atento" sobre os países emergentes "ganhará fôlego", dentro de um novo ciclo de crescimento econômico mundial.
 
Dilma sustentou também que o sucesso do Brasil nos próximos anos estará associado a uma parceria com investidores de todo o mundo e destacou a abertura do país para o investimento estrangeiro.
 
"Sempre recebemos bem o investimento externo. Meu governo adotou medidas para facilitar ainda mais essa relação. Aspectos da conjuntura recente não devem obscurecer essa realidade. Como eu disse até aqui, o Brasil mais que precisa e mais que quer a parceria com investimento privado nacional e externo."
 
Inflação
 
Outro tema citado pela presidente foram os esforços do governo brasileiro para controlar a inflação. Segundo ela, o país está sendo "construído sem abdicar do nosso compromisso com a solidez dos fundamentos macroeconômicos", entre eles, o controle da inflação.
 
"A inflação no Brasil permanece sob controle e, desde 1999, o Brasil segue o regime de metas. Nos últimos anos, perseguimos o centro da meta e a cada ano trabalhamos para lograr esse objetivo. Os resultados até aqui estão dentro das metas. Buscamos a convergência para o centro da meta. A experiência que tivemos das elevadíssimas taxas de inflação dos anos 1980 e 1990 nos ensinou o poder destrutivo do descontrole de preços sobre as rendas, salários e lucros das empresas", disse Dilma.
 
"A estabilidade da moeda é hoje um valor central do nosso país. Quero enfatizar que nós não transigimos com a inflação", concluiu a presidente.
 
Oportunidades no Brasil
 
Dilma citou a redução da desigualdade social e a diminuição da pobreza extrema no Brasil. Ela ressaltou que, com as mudanças sociais, há oportunidades de negócios ainda não exploradas no país, citando, por exemplo, que apenas 47% dos domicílios têm computador, e que apenas 8% tem TV plana.
 
Para Dilma, os avanços criaram um contingente de cidadãos com mais qualidade de vida, com mais informação, mas com novos desejos e demandas. Parte dessas demandas, segundo a presidente, esteve nas manifestações de junho de 2013. "Para nós, todos os avanços que conquistamos e os já conquistados são sempre, sempre só um começo. É necessário transformar essa extraordinária energia do povo brasileiro manifesta nas ruas em realizações para todos", defendeu.
 
Copa do Mundo
 
Dilma finalizou o discurso convidando os presentes a participarem da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. "Quero dizer aos senhores que estamos preparados para a Copa. Os investimentos que eu relatei aqui são também investimentos para essa Copa e para esse evento. Mas são sobretudo investimentos originados da necessidade do país", justificou, acrescentando que "estamos de braços abertos" para receber todos os visitantes.
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