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INTERNACIONAL

Lei de anistia na Venezuela divide opiniões e exclui militares do benefício

Medida pode libertar centenas de presos políticos, mas gera críticas por restrições e supervisão judicial

21 fevereiro 2026 - 10h45Redação
Nova lei de anistia na Venezuela pode beneficiar centenas de presos, mas exclusões geram críticas
Nova lei de anistia na Venezuela pode beneficiar centenas de presos, mas exclusões geram críticas - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A promulgação de uma nova lei de anistia na Venezuela provocou reações divididas entre grupos de defesa dos direitos dos prisioneiros e familiares de detidos. A medida, assinada na quinta-feira (19) pela presidente em exercício Delcy Rodríguez e oficializada na sexta-feira (20), deve beneficiar centenas de pessoas presas por motivações políticas ao longo dos últimos 27 anos.

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Enquanto parte dos setores envolvidos considera a legislação uma vitória diante das detenções ocorridas nesse período, outros apontam limitações importantes. A exclusão de militares do benefício é um dos principais pontos de crítica.

Segundo a organização Foro Penal, mais de 600 pessoas permanecem sob custódia por razões políticas no país. Desde o início de janeiro, quando o governo anunciou que libertaria um número significativo de detidos, 448 pessoas já foram soltas.

Como funciona a anistia - A nova legislação determina que tribunais de primeira instância analisem e aprovem pedidos de anistia no prazo de até 15 dias. No entanto, o fato de os mesmos juízes e promotores responsáveis pelas acusações originais decidirem sobre a concessão do benefício tem gerado ceticismo entre organizações de direitos humanos.

A anistia abrange crimes cometidos em contextos de conflito político desde 1999, incluindo fatos ligados às eleições de 2024 e 2025. Por outro lado, o texto exclui condenações por violações de direitos humanos, crimes de guerra, homicídio, tráfico de drogas e corrupção.

Também ficam de fora pessoas acusadas de promover ou financiar ações de potências estrangeiras contra a Venezuela — o que, segundo críticos, pode manter nomes da oposição fora do alcance do perdão legal. Casos classificados como rebelião militar, mesmo quando envolvem civis, também não são elegíveis.

Contexto político - A assinatura da lei ocorreu após a operação militar dos Estados Unidos que capturou o então presidente Nicolás Maduro no mês passado. Delcy Rodríguez afirmou que a iniciativa busca abrir novos caminhos para a política venezuelana.

A legislação ainda permite que pessoas no exílio solicitem a anistia por meio de advogados, sem necessidade de retorno imediato ao país. Representantes da oposição no exterior, porém, afirmam que a medida tenta melhorar a imagem do governo e não enfrenta de forma estrutural o problema da perseguição política.

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