Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
01 de janeiro de 2026 - 08h56
Sistema FIEMS - Boas Festas
CENÁRIO GLOBAL

De guerras à IA, mundo entra em 2026 sob incerteza e ruptura da ordem global

Análise da The Economist aponta dez tendências que devem moldar a política, a economia e o clima no próximo ano

1 janeiro 2026 - 07h12Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O ano de 2026 começa com um cenário internacional mais fragmentado, menos previsível e marcado pelo enfraquecimento da ordem global baseada em regras. É o que aponta a The Economist ao elencar dez tendências que devem influenciar decisões políticas, econômicas e sociais ao longo do ano, em um contexto fortemente moldado pelo segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos.

Canal WhatsApp

A condução da política externa americana segue como principal fator de instabilidade. A estratégia transacional de Trump, baseada em tarifas, pressão direta e decisões unilaterais, continua a gerar tensões, mas também força rearranjos diplomáticos e econômicos em diversas regiões do mundo.

Entre os marcos simbólicos está o aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, que deve aprofundar a polarização interna. Republicanos e democratas devem apresentar leituras opostas sobre o passado e o futuro do país, enquanto as eleições de meio de mandato, em novembro, servirão como termômetro político. Ainda que os democratas avancem no Congresso, a forma de governar de Trump tende a permanecer.

No campo internacional, analistas não veem nem uma nova Guerra Fria clássica nem uma divisão clara do planeta em esferas de influência. A tendência é de maior deterioração das regras multilaterais, compensada por acordos pontuais entre grupos de países em áreas como defesa, comércio e clima.

A linha entre guerra e paz segue cada vez mais tênue. A manutenção do cessar-fogo em Gaza ainda é incerta, enquanto conflitos na Ucrânia, Sudão e Mianmar continuam. Rússia e China devem testar os limites do compromisso americano com aliados por meio de provocações indiretas, inclusive no Ártico, no espaço, no fundo do mar e no ciberespaço.

A Europa aparece como uma das regiões mais pressionadas. O bloco precisa aumentar gastos com defesa, sustentar o crescimento econômico e lidar com déficits fiscais, sem fortalecer partidos de extrema direita. Ao mesmo tempo, tenta manter protagonismo em pautas ambientais e no livre comércio, um equilíbrio considerado difícil.

Para a China, o contexto abre oportunidades. Apesar de enfrentar desaceleração econômica, deflação e excesso de produção industrial, Pequim busca se apresentar como parceira mais confiável, sobretudo no Sul Global. A estratégia passa por acordos comerciais e por uma relação pragmática, e não confrontacional, com os Estados Unidos.

A economia global entra em 2026 sob alerta. As tarifas americanas tendem a pesar sobre o crescimento mundial, enquanto o endividamento elevado dos países ricos aumenta o risco de crises no mercado de títulos. A sucessão no comando do Federal Reserve, prevista para maio, é vista como um ponto sensível, especialmente se houver politização da autoridade monetária.

A inteligência artificial surge como outra fonte de preocupação. O alto volume de investimentos em infraestrutura pode estar mascarando fragilidades econômicas. Um eventual estouro de bolha teria impacto amplo, ainda que a tecnologia mantenha valor no longo prazo. Cresce também o debate sobre os efeitos da IA no mercado de trabalho, especialmente entre profissionais qualificados.

No clima, o cenário é ambíguo. Limitar o aquecimento global a 1,5°C já não é considerado viável, e o governo Trump mantém postura hostil às energias renováveis. Ainda assim, há sinais de que as emissões globais atingiram o pico, com avanço da tecnologia limpa no Sul Global e cumprimento silencioso de metas climáticas por empresas. A energia geotérmica desponta como ponto de atenção.

Nem o esporte deve ficar imune às tensões políticas. A Copa do Mundo de 2026 será sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, países que vivem momentos de atrito diplomático. Já os chamados Enhanced Games, previstos para Las Vegas, prometem polêmica ao permitir o uso de substâncias para melhorar desempenho atlético.

Por fim, medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, mais eficazes e baratos, devem se popularizar, inclusive em versão oral. A ampliação do acesso reacende o debate ético sobre o uso de substâncias para melhora de desempenho, agora fora do universo restrito do esporte de alto rendimento.

O panorama traçado pela The Economist indica que 2026 será menos sobre estabilidade e mais sobre adaptação, em um mundo onde previsibilidade e consenso se tornam cada vez mais escassos.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop