25 de novembro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Polêmica

Comunidade palestina de Campo Grande acompanha com muita tensão ataques de Israel à Faixa de Gaza

Divulgação
Fort Atacadista Natal

A pequena colônia palestina residente em Campo Grande - integrada por no máximo 200 famílias - acompanha entre indignada e preocupada- as recentes ofensivas de Israel que têm alvo os militantes do Hamas que controla a faixa Gaza, região com cerca de 45 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de largura que se limita ao  norte e leste por Israel e ao Sul com o Egito, ocupada por  cerca de 1,4 milhão de palestinos , mais da metade deles refugiados das guerras contra Israel.

O “território”  palestino na Capital se localiza na Avenida Calógeras, entre as ruas Maracajú e Barão do Rio Branco, onde os migrantes e seus descendentes se dedicam ao comércio, principalmente de roupas e calçados. 

A maioria não gosta de dar entrevista. A chegada de um jornalista nem é sempre é vinda. A reportagem de A Crítica foi recebida com hostilidade. Um dos entrevistados “convidou” a repórter a se retirar.  Quem se dispõe a  falar impôs condições: nada de fotografias, e recusaram a se identificar. Mencionar na conversa  Israel, Estados Unidos, George Bush e até mesmo os “primos” árabes, desperta reações de raiva, traduzidas com uma avalanche de palavrões e impropérios ditos numa mistura de português e árabe. 

Uma exceção a este comportamento arredio e avesso à entrevista é do comerciante Mohamed Hassad, 87 anos, que desde 1960 é dono uma loja de calçados na Avenida Calógeras (A  Casa Santo Antônio).  Uma das filhas mora na Cisjordânia, área fora do conflito. 

Seu Mohamed tem um ódio visceral contra Israel e está convencido que o estado judaico ainda vai ser destruído para abrir caminho a criação da nação palestina. Ele relata que veio para o Brasil em 1948, quando foi expulso das suas terras depois da criação do  Estado de Israel. Saiu de lá praticamente com a roupa do corpo. Deixou pra traz 17 hectares onde cultiva oliveira para produção do óleo de oliva. O que para os padrões brasileiros é considerado uma chácara, no Oriente Médio era um latifúndio onde um hectare custa  em média 200 mil dólares. 

Outra família palestina, também com comércio  na Avenida Calógeras, prefere se manter no anonimato. A mulher e o marido nasceram na Palestina, seus filhos aqui no Brasil. “A situação é desesperadora. Ninguém entra, ninguém sai”, diz a mãe. O filho, estudante de medicina, resumiu a guerra em uma única frase: “É uma luta de canhões X pedras”, referindo-se canhões a Israel e pedras aos palestinos. “É um genocídio.” Eles mantêm contato diariamente com seus familiares que não residem em Gaza mas, na Cisjordânia, região muito próxima da área de conflito. Segundo eles, a situação é muito triste e ninguém vive bem. Eles vêem bombas passando sob suas cabeças e tudo está interditado. Ninguém entra e ninguém sai, seja médico, remédio ou ambulância. “Inocentes estão morrendo”, declara a filha revoltada com o que está ocorrendo. 

O estudante lembra que quando vão a Palestina são revistados de uma forma humilhante. Toda a bagagem é revirada. A irmã diz, que certa vez, enfiaram a mão dentro da bota de uma moça que estava em visita ao país, para ver se encontrava algo. “Somos humilhados dentro do nosso próprio país. Fazem o que querem, temos que calar a boca.”

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