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07 de janeiro de 2026 - 06h50
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INTERNACIONAL

China e Rússia condenam ação dos EUA na Venezuela e pedem libertação de Maduro

Em reunião de emergência na ONU, países classificam ataque como ilegal e acusam Washington de violar normas internacionais

5 janeiro 2026 - 15h45
Conselho de Segurança da ONU debate ação militar dos Estados Unidos na Venezuela durante reunião de emergência.
Conselho de Segurança da ONU debate ação militar dos Estados Unidos na Venezuela durante reunião de emergência. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

China e Rússia reagiram com dureza à ação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, realizada no sábado (3), e cobraram a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. As manifestações ocorreram durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta segunda-feira (5), em Nova York.

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O embaixador da China na ONU, Fu Cong, afirmou que o governo chinês recebeu a operação com “profundo choque” e condenou o que classificou como atos ilegais e de intimidação por parte dos Estados Unidos. Segundo ele, a conduta norte-americana desrespeita princípios básicos do direito internacional.

De acordo com o diplomata, a comunidade internacional já vinha expressando preocupação com sanções, bloqueios e ameaças de uso da força contra a Venezuela. Fu Cong afirmou que, mesmo sendo membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos ignoraram essas manifestações e violaram a soberania venezuelana, além do princípio da não interferência em assuntos internos de outros países.

“A proibição do uso da força nas relações internacionais foi claramente infringida”, declarou o embaixador chinês durante a sessão.

Críticas ainda mais duras vieram da Rússia. O representante russo na ONU, Vasily Nebenzya, disse que o episódio representa um grave retrocesso nas relações internacionais e demonstra desrespeito às leis internacionais e ao princípio da não intervenção.

Segundo Nebenzya, a retirada forçada de Nicolás Maduro do território venezuelano, acompanhada de mortes de cidadãos venezuelanos e cubanos, simboliza um retorno a um cenário marcado pela imposição de poder pela força. Para o diplomata, não há qualquer justificativa para a ação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas.

“O sequestro do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, se tornou, aos olhos de muitos, um retrocesso a um mundo sem leis. Condenamos firmemente a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela em desacordo com todas as normas internacionais”, afirmou.

O representante russo também pediu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, a quem se referiu como presidente legitimamente eleito. Ele declarou ainda solidariedade do povo russo aos venezuelanos diante do que classificou como agressão externa e afirmou apoio irrestrito ao governo bolivariano.

Nebenzya acrescentou que, na avaliação de Moscou, os Estados Unidos não escondem o interesse pelo petróleo venezuelano e demonstram, segundo ele, uma postura imperialista em relação à América Latina. O diplomata defendeu que a comunidade internacional se una contra o uso da força como instrumento de política externa.

A operação militar norte-americana ocorreu no sábado e, segundo relatos apresentados na ONU, envolveu a retirada forçada de Nicolás Maduro e Cilia Flores do país. A ação provocou confrontos, resultou na morte de integrantes das forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital venezuelana.

Após a operação, Maduro foi levado para Nova York. O governo dos Estados Unidos afirma que o presidente venezuelano será julgado no país por acusações relacionadas a uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas.

Nesta segunda-feira, Maduro e Cilia Flores foram levados ao Tribunal Federal de Nova York para uma audiência de custódia. De acordo com as autoridades norte-americanas, o casal será oficialmente notificado das acusações que pesam contra eles. Ambos estão detidos em um presídio federal localizado no bairro do Brooklyn, também em Nova York.

O caso ampliou a tensão diplomática entre potências globais e reacendeu o debate sobre limites da atuação militar e soberania nacional dentro do Conselho de Segurança da ONU.

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