
O comandante-chefe do Exército do Irã, major-general Amir Hatami, afirmou nesta quarta-feira (7) que o país pode lançar uma ação militar preventiva diante do que classificou como intensificação da retórica contra a República Islâmica. A declaração ocorre em um cenário de crescente tensão interna e externa envolvendo o regime iraniano.
Embora não tenha citado diretamente nomes, a fala é vista como resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alertou que a América poderia intervir caso Teerã “mate violentamente manifestantes pacíficos”.
As declarações de Hatami acontecem em um momento em que o Irã enfrenta o que considera uma dupla ameaça representada por Israel e pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que lida com protestos motivados pelo agravamento da crise econômica. As manifestações têm se intensificado e passaram a representar um desafio direto à estrutura teocrática do país.
Nesta quarta-feira, o governo iraniano iniciou o pagamento de um subsídio mensal equivalente a US$ 7 para compensar o aumento no custo de itens essenciais, como arroz, carne e massas. A medida ocorre em meio à deterioração do poder de compra da população.
Comerciantes alertam que produtos básicos, como o óleo de cozinha, podem ter os preços triplicados, pressionados pelo colapso do rial e pelo fim da taxa de câmbio preferencial destinada a importadores e fabricantes. O cenário tende a aprofundar ainda mais a insatisfação popular.
Para o Soufan Center, think tank com sede em Nova York, mais de uma semana de protestos no Irã reflete não apenas o impacto das dificuldades econômicas, mas também uma insatisfação acumulada com a repressão governamental e com políticas que levaram o país ao isolamento internacional.
Hatami falou a estudantes de uma academia militar. Ele assumiu recentemente o comando do Exército iraniano, conhecido em farsi como Artesh, após a morte de altos comandantes militares durante a guerra de 12 dias com Israel, em junho. Trata-se do primeiro oficial do Exército regular a ocupar o cargo em décadas, função que tradicionalmente estava sob controle da Guarda Revolucionária.
“A República Islâmica considera a intensificação dessa retórica contra a nação iraniana como uma ameaça e não deixará sua continuidade sem resposta”, afirmou Hatami, segundo a agência estatal IRNA.

