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INTERNACIONAL

Chanceler venezuelano chama ataque dos EUA de ameaça à soberania da América Latina

Yván Gil diz na Celac que ofensiva foi planejada, violou direitos humanos e pode atingir outros países

4 janeiro 2026 - 18h30Isabella Pugliese Vellani
Chanceler da Venezuela, Yván Gil, discursa na Celac e critica ação dos Estados Unidos contra o país.
Chanceler da Venezuela, Yván Gil, discursa na Celac e critica ação dos Estados Unidos contra o país. - (Foto: AFP)

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, afirmou neste domingo (4) que a operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra o país representa um momento crítico para a história da América Latina. Durante reunião de chanceleres da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), ele classificou a ação de Washington como “covarde e criminosa” e alertou para riscos à soberania de toda a região.

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“Quero denunciar um feito extremamente grave. O dia de ontem ficará marcado como uma data obscura na história. O governo dos Estados Unidos infligiu de maneira aberta a paz da região”, disse Gil, ao destacar que Nicolás Maduro é o “presidente constitucional” da Venezuela. Segundo ele, o ataque não se restringe a uma figura política. “Se é contra um presidente, é contra a soberania de seu povo”, afirmou.

Na avaliação do chanceler, a ofensiva não pode ser tratada como um episódio isolado. Gil disse que se trata de uma ação “cruelmente planejada”, executada sem respaldo no direito internacional e em desacordo com princípios básicos que regem as relações entre Estados.

Em sua fala, Yván Gil ressaltou que a operação militar viola a Carta das Nações Unidas, que estabelece que conflitos entre países devem ser resolvidos por meios pacíficos e diplomáticos. Para ele, a iniciativa norte-americana rompe com esse compromisso e abre um precedente perigoso para a região.

O ministro também afirmou que a ação atingiu civis que não estavam envolvidos em qualquer tipo de confronto, o que, segundo ele, caracteriza violação de direitos humanos. Gil citou, especialmente, o direito à vida e à integridade física como princípios desrespeitados durante a operação.

Segundo Gil, a gravidade do episódio se amplia porque, de acordo com ele, a Venezuela já havia alertado sobre o risco de uma escalada militar na região. O chanceler lembrou que, no ano passado, o governo venezuelano advertiu sobre pressões externas no Caribe.

“A Venezuela alertou sobre a escalada militar perigosa no Caribe. O presidente Maduro disse que forças exteriores estavam pressionando a zona de paz latino-americana”, afirmou.

Para o ministro, o ataque confirma essas advertências e expõe de forma clara os interesses por trás da ofensiva. “As máscaras caíram definitivamente. Esse ataque não é só contra a Venezuela, é contra a América Latina e o Caribe. Amanhã pode ser contra qualquer país que tente exercer sua soberania”, declarou.

Yván Gil encerrou sua participação defendendo uma reação firme dos países membros da Celac. Segundo ele, o bloco regional não pode adotar uma postura de neutralidade diante do ocorrido.

“A Celac não pode ter dúvidas sobre o que fazer. Os países da região precisam dar um passo à frente”, afirmou, sem detalhar quais medidas deveriam ser adotadas.

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